quinta-feira, setembro 13, 2001

PAZ

Só se fala em PAZ e lembrei do meu queridinho Jonh Lennon com
essa camisetinha aí de N. York e como ele juntamente comigo e
com milhões de pessoas no mundo todo estariam tristes agora.

Vou colocar a letra da música que é um hino pacifista...

IMAGINE
John Lennon

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell bellow us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life and peace
You may say I'm a dreamer
But I'm not only one
I hope someday you'll join us
Ant the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the word's
You may say I'm a dreamer
But I'm not only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

quarta-feira, setembro 12, 2001

CARACOL
foto: Anne Geddes

Queria ficar encolhidinha e com minha casa nas costas.
Não acredito em guerra, acredito em vida.
AMA-ME OU FODA-ME
mas faça alguma coisa

* Sei que o dia não está pra brincadeiras, mas leiam
pra levantar o astral, o pincel, a brocha, o balde
pra levantar a cabeça...

* é uma fala pra teatro, mas ainda vai sofrer modificações...

Ele: Tenho sido bacana com vc.
Ela: Mas não te entendo, vc não fode e nem
sai de cima; pode ser mais claro?
Ele: Quer que passe cal em mim?
Ela: Não quero ver vc pintado de branco,
quero só ver seu pincel?
Ele: Jura que quer?
Ela: Claro ou quer que eu continue
apaixonada por uma parede?
Ele: Podia ser menos despachada
e mais comedida, que tal?
Ela: Então tá, eu não quero ver o seu pincel
e nem a sua brocha de pintor,
quero ver se as borboletas estão voando.
Ele: Tá ficando romântica agora.
Ela: Foda-se
Ele: Por que me xingou?
Ela: Xinguei porque vou para o Xingú
morar com os índios e fazer sexo na
rede e agora tenho que falar
eu xingu tu xingas nós xingamos
Ele: Xingar é com x ou ch?
Ela: Com x... e foda-se é com ph.
Ele: Então phode comigo amore.
Ela: Tá quando?
Ele: Te ligo e não esquece, te lóvu.
Ela: Nunca mais me xingue.
Ele: Falar phodinha pode, né!
Ela: Phode.
PALAVRAS AO CUBO

"Pensei agora em sexenvelhescente. Não, uma bobagem.
Parece fim de linha também. Me ajude aí. Me mande uma colaboração.
Mas mande logo, antes que eu chegue lá. "
[Crônica do Prata- aperta no link na coluna vinho]

Prapra pediu uma colaboração então lá vai:

Pra 40
falar que está na quaternidade
é um quatrim
ou melhor é um quartudo [isso abrange quem
tem uma bunda grande, acho melhor esse termo mesmo
pra quem não tenha os quartos avantajados]

Pra 60
falar que é um sextanista
um sexagesimal também vai bem
sexenal achei muito viado, parece
que só vai no anal
sextante achei que pega bem
uma mistura de sex-excitante.

Pra todos
sex-appeal é fundamental,
é desejo que move tudo,
não importa a idade...

terça-feira, setembro 11, 2001

CONTAGEM
REGRESSIVA

* Dedico essa poesia a todos
que partiram da Terra hoje
e em especial para o Toninho,
o prefeito de Campinas.

La Petite Fleur
[Rosi Luna]

Dans le désert aride des hommes
Elle bourgeonne la petite fleur
Elle est seule
Mais elle cherche à germer

Une bombe explose
Et la petite fleur
Elle pleure et elle meurt
Sa racine reste

Un nouvel espoir de vie
Elle ressuscite
Et elle renait
Petite feuille

Avec le temps la petite fleur ressucite
Elle est un lien entre les hommes
Elle parle français, anglais, chinois, portugais...
Elle peut s` exprimer en toutes les langues

La petite fleur est
Blanche
De la coleur
De la PAIX


* Escrevi essa poesia com um dicionário, depois
de estudar seis meses na Aliança Francesa na
época era Guerra das Malvinas, ganhou um
concurso de poesias, não pelo vocabulário mas
pela simplicidade e por falar de um sentimento
tão em falta no mundo - a paz. Eu não sabia ler
o que escrevi no microfone para a platéia e para o
Cônsul, mas me entenderam, eles sabiam que era
minha forma de dizer que eu pensava "branco".
PAZ E AMOR


Eu quero fugir desse mundo de violência...
PAZ PAZ PAZ

O prefeito de Campinas foi embora
desse mundo com um tiro nas costas ontem.
As torres se dissolveram com uma calda
de pessoas mortas escorrendo.
Tudo ferve, tudo explode, é uma
nuvem negra de tragédias.
Eu quero ir para um lugar branco
será que esse lugar não existe?
O lugar onde nasceu minha poesia
"la petit fleur" no fim eu terminava
assim: a pequena flor é branca
da cor da PAZ...

segunda-feira, setembro 10, 2001

POESIA ROUBADA DO CHAT

Carregas em ti uma emoção encantada,
fogo em que as cinzas não voam, dançam
silenciosas no bailar das chamas,
invadindo meu mundo e me fazendo dançar contigo.
Vejo-te linda e principesca,
como nos sonhos do escritor apaixonado,
que mirando uma flor te descreveu como a
primavera e seus encantos.
Sou eu quem te admira, fita os olhos
em tua silhueta e dorme como se morto
tivesse e como se lançado fosse aos céus dos
amores impossíveis.
Fica comigo enquanto durar a chama,
dançarei contigo enquanto durar
meu sonho.

PS. é de autoria de um nick desconhecido.
AVE BALZAC

Tava lendo o novo blog Serenata da Cristina Moraes
e quase caí dura com a chamada que ela fêz do
meu bloguinho.

Luna Rossa, por Rosi, a mulher balzaquiana.

O endereço é:http//serenata.blogspot.com

Cris linda, sei sei sei que Balzac era um cara
legal, mas odeio esse título, viu! muda isso tá!
pode ser assim...
Luna Rossa, por Rosi, a mulher lunática.
CASTELO


Lá no Rio estive na Casa Cor, que esse ano foi no bairro do Flamengo,
e deu até pra ir a pé pois eu estava na rua Paissandú. Na minha singela
opinião foi uma das mais bonitas que visitei. Deixa colocar aqui as
palavras do histórico da casa " O palacete, onde em breve será
inaugurada a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, foi construído no
início do século passado, pela família Seabra, segundo projeto, datado
de 1920, do arquiteto L. Moraes Junior, que se inspirou na
arquitetura do Ópera de Paris, projetado pelo arquiteto francês
Charles Garnier".

Logo de cara a escadaria com vitral, fiquei horas ali sonhando
como jacaré com os olhos acordados. Pude me sentir com
aqueles vestidos rodados dançando e girando, girando numa
volta ao tempo. A Casa Cor do Rio é romântica, tem vasos
com mini-rosas e rica em detalhes que me apaixonei.

Um dos banheiros tinha até aqueles vidros de remédio com nome
em latim e uma pia antiga linda, com toalhas em linho e tudo
com enorme romantismo espalhado em cada peça. O quarto
do casal inspirava tantas noites de amor, que eu poderia
até virar uma princesa. Uma mistura de antigo e moderno
com extremo bom gosto e na tv fininha digital um vídeo
de ballet antigo, com a bailarinha com sainha de tule armado.

Me digam se um pouco de ambiente cenográfico não
levanta qualquer amor. Eu juro que me apaixonaria até
pelas paredes da casa. Tinha um banheiro que o vidro
ficava transparente e com o simples toque em um botãozinho
que parecia uma caneta, o vidro ficava leitoso. Coisas da
tecnologia. O bom de ver essas casas decoradas com
tanto bom gosto é que você fica por dentro e se um dia
ficar rico já sabe o que vai querer. Difícil é voltar a vida
real e ver que tá tudo fora do lugar na sua casa.
E notar que seu petit apartamento foi decorado por você mesmo.
Tudo bem, tem os seus poucos quadros, suas peças
suas coisas, seus livros, tem um pouco de você ali.

Mas que sonhei ahhhhhhh! isso sonhei que sonhar
com todo aquele luxo e riqueza é de graça. Nem tão
de graça assim que paguei caro para entrar.
E falar nisso achei a entrada um absurdo 20 pilas mas
depois de tudo que vi, parei de reclamar e no fim tomei
café com "brownie de chocolate e com sorvete de manga"
uma mistura exótica que amei amei amei.

Me deu uma saudade de Paris. Quando foi que vi a
Ópera Garnier? Faz tempo e garanto e as possibilidades
de ver de novo, são remotas... moeda da ponte dos
suspiros faça efeito... só um milagre me leva a Europa de novo...

sexta-feira, setembro 07, 2001

MARTHA MEDEIROS

a mais carinhosa também é a mais bruta
a mais inteligente é ao mesmo tempo a mais sensível
a mais bonita também é a mais emburrada
a mais esperta é ao mesmo tempo a mais mundo-da-lua
a mais bem humorada também é a mais secreta
a mais velha é ao mesmo tempo a mais moleca
a mais moça também é a mais madura

uma não vive sem a outra e eu não vivo sem as duas

* Do livro "cartas extraviadas e outros poemas" da
Martha Medeiros, que me deu um autógrafo e ainda
me chamou de simpática... ela é simplesmente o
máximo!!! Ela viajou no ônibus comigo de Porto Alegre
até Passo Fundo, claro que não conversei muito, que
sempre fico muda diante de ídolos... tirei só uma foto
com ela e fiz algumas para a coluna social.
O mais legal da história é que na feira de livros apresentei
o Skármeta pra ela, ele ficou surpreso com o enorme
sucesso dela, e ficou querendo comprar um livro da Martha.
Não sei se achou, pois depois me perdi dele.
RIO DE JANEIRO

Vida de tênis é pisar no chão
Vida de Rosi Luna é viver em profusão
Viva a vida agitação
Viva o sonho como vocação
Viva as pernas e a locomoção
Viva o Rio do meu coração

PS. Fui passar o feriado na cidade maravilhosa,
quando der eu blogo. É favor sentir saudade de
mimzinho aqui e das pernas também...
beijos... lóvu meus leitores...

quinta-feira, setembro 06, 2001

PERNAS PARA QUE TE QUERO

Eu e Mano Melo e as tais pernas
na foto original não está cortado
os pés, mas no scaner sumiu.

Putz! Pra quem mereceu uma
poesia, não dá pra imaginar como
saiu um perna tão Garrincha,
e na verdade ela é certinha.
Ilusão de ótica, tá!

*Deixa contar como foi a história
da perna depilada... Quando o
ônibus quebrou na estrada eu
falei que ia mostrar minhas pernas
não depiladas ao primeiro caminhoneiro
que passasse e aí virou uma onda
de brincadeiras. E por isso que eu
usava as meias que era pra ninguém ver.
O pior é que apareceram os aficionados
por pernas com pelinhos, pode?
O Mano Melo delirou e colocou
pernas depiladas, mas na verdade
elas estava bem king kong, cabeludas!
Depois eu as deixei lisinhas, mas não
mostrei a ninguém, que estava um
frio louco lá no Sul. Adorei usar meias
coloridas todos os dias. A minha preferida
foi essa vermelha aí... love red red red.

AS PERNAS DE LUNA
[Mano Melo]

Luna é do signo da lua
Suas pernas
Depiladas e longas
São belas
Do tornozelo ao lombo
Que nem as caravelas
De Cristovão Colombo


PS. tenho a poesia original com autógrafo
e manuscrita, um show! amei ganhar poema.

quarta-feira, setembro 05, 2001

POESIA

* Conheci o poeta Mano Melo em Passo Fundo, ele usa chapéu, tem
uma eloquência quando interpreta seu poemas. Ele me deu de
presente uma poesia "As pernas de Luna". Detalhe: ele nunca
viu minha pernas. Usei meias coloridas todos os dias: uma vermelha,
uma verde, uma roxa e uma preta. Falei que poeta tem que"imaginar"
como seria... ele riu... depois colo aqui meu momento poético.
Amei o Mano Melo, o Abel Silva e o Claufe. Aliás eu amo poetas!

PS. vcs perderam ele declamando "Sexo em Moscou" ai Nikita
atirou em mim eu morri de êxtase de ouvir...
_____________________________________________________
Sexo em Moscou
[Mano Melo]


Quando comecei a passear meus dedos
Pela sua marighelazinha já ficando molhada
Ela teve medo e recuou na resitência:
- Stálin! Stálin!
Mas depois deu uma olhada
Viu meu sputinik pronto a entrar em órbita
Exclamou feliz da vida:
- Que vara! Que vara!
- Que nikita mais krutschev!
Eu era o sessenta
Ela era lunática rainha lunik 9
Me sentia como se estivesse dando um cheque-mate
No próprio Karpov
E por não ser nem fidel e nem castro
Lambi sua rosa de luxemburgo
E a linda bolchevique geminha tesudinha:
- Ai língua de seda,
Maravilhosa,
Me lenine toda, meu bem
Me lenine toda,
Todinha!
Arranhava minhas costas com suas unhas de mil caranguejos
E sussurrava entre beijos:
- Marx! Marx!
E o colchão de molas rangia:
- Mao tse tung! Mao tse tung!
Me chamou de seu tesão
Maiokovsky do sertão
Engels azul do meio dia
Poeta do real
Sua fantasia
Olhou-me nos olhos e disse:
- Tú és o meu Brejnev!
E ficamos por um tempão
Deitados no colchão de neve
E nos amávamos
Esperando o intervalo
Entre uma e outra greve
Trotsky! Ela tinha uma bezerra gregoriana
Que deixava lamarcas
E quando o êxtase atingiu ao seu máximo górki
Quando estava prestes a acontecer um orgasmo dissidente
Sussurou rangendo os dentes
- Chove dentro de mim,
Chove, chove,
Gorbatchev!

domingo, setembro 02, 2001

CAPAZ DELA ESCREVER UMA CRÔNICA

foto de Marema

POÇO FUNDO

Estou no Sul, precisamente em Passo Fundo, lugar onde pedir um
cacetinho, não é falar em um órgão sexual masculino de tamanho
reduzido e sim pedir um pãozinho na panificadora. É um Brasil
longe, de expressões diferentes onde “fazer o rancho” é ir no
supermercado para comprar os suprimentos básicos. Um lugar frio,
mas de pessoas com bochechas rosadas e com muito calor humano.
E cuidado! Ao dirigir um carro aqui, se você causar uma colisão com
um veículo você não deu uma “batida”, aqui se fala “pechada”. Na hora
que ouvi a expressão, pensei em um pescador mais desaforado batendo
com um peixe em alguém. São sutilezas de cada região e que incorporei
rápido à minha comunicação diária. Capaz! Bá! Tchê! Tri-bom! Tu! Estou
me sentindo tão gaúcha que não paro de usar essas palavras. E posso
fazer isso, pude conviver com elas durante um bom tempo e as incorporei
ao meu vocabulário.

Preciso contar como é estar numa “Disneylândia de Escritores”,
onde a atração é a fala, os livros, a arte e o convívio com essas mentes
tão brilhantes. Tenho que dizer que cheguei aqui e fugi do hotel que estava
reservado com a mala aberta e os sapatos na mão. Vou confessar um
roubo também: peguei uma coleção de livros que estava no quarto do hotel
de que saí e que foi editada especialmente para esse evento. Me tornei
uma peregrina de quarto, e por conta dessa adversidade, não houve uma
só pessoa que não conheci. O hotel dos Escritores estava um formigueiro
e absolutamente lotado e cismei que ia ficar lá e não aceitei a palavra
“não temos vaga” como resposta.

Não devo ser tão linda como uma miss e nem tão feia e sem atrativos
que não merecesse convites de toda ala masculina. Dormi a primeira
noite com uma produtora de poetas e aí começei a receber bilhetes do
hotel com a expulsão. Ela foi embora no dia seguinte e seu quarto iria
ser ocupado por outra pessoa. E com a mala aberta de novo e fugida
como uma retirante prometi não arredar o pé dali. Saí tão corrida que
horas depois recebi da camareira meu pijama esquecido debaixo do
travesseiro, já em outro quarto.

No jantar, as brincadeiras de um escritor de que pude me apaixonar
por suas palavras, chamado Alcione Araújo, que guardou minha
mala em seus aposentos falou com o não menos apaixonante Ziraldo.
- Essa aqui é uma jornalista de Campinas e está sem quarto,
desabrigada e sem teto, você pode hospedá-la?
E Ziraldo com aquele sorriso lindo, aquela simpatia só dele disse.
- Minha querida tenho 70 anos, esqueci o viagra e você pode ir para
o meu quarto sem susto, não vai acontecer nada.

Com todo o vigor que vi na figura do Ziraldo, sei que ele não precisa
de viagra nenhum, e morta de vontade de aceitar o convite pra dormir
em companhia tão ilustre ainda continuei minha busca por uma cama
só minha. Achei abrigo com uma escritora e professora da USP -
Ana Mei, que aceitou compartilhar seu quarto comigo. Quando sentei
na cama aliviada, pensei:enfim tenho um teto agora. Então ouço uma
batida e uma camareira, me pede para assinar uma ordem de serviço.
Assustada como estava, pensei.
- Meu Deus devo ter assinado uma ordem de expulsão de novo.

Descobri rápido que era apenas uma gentileza da minha companheira
de quarto. O papel que assinei era só uma ordem de serviço de
solicitação de cabides extras. Um gesto tão delicado de atenção que nem
cheguei a usufruir, minhas roupas ficaram todas na mala, mas guardei o
carinho da recepção de minha nova amiga que aceitou compartilhar seus
aposentos comigo.

Fiquei no lugar onde queria estar, rodeada de escritores por todos
os lados.Encontrei o “grande” escritor chileno Antonio Skármeta,
autor de um dos livros mais poéticos e tocantes que já li “O carteiro e
o poeta” no hall do hotel, sozinho e mesmo sem falar nenhum idioma
direito me aventurei a travar conversa. Ele me deu toda atenção,
falamos todos os idiomas juntos: inglês, italiano, espanhol, francês e
alemão para que ele conseguisse me entender. Ele deve ter notado
minhas mãos trêmulas e meu olhar embevecido por sua presença tão
próxima. Sua dedicatória no livro que comprei “As bodas do poeta” foi
linda, para alguém que sabe apenas pronunciar poucas palavras em
cada idioma.
“Rosi Luna! La más poliglota e encantadora de mis lectoras! Com cariño.
ASkármeta. 2001”

Não quero esquecer nenhum escritor... zap zap zap 1 2 3 4 foram tantos
que não dá pra citar o nome de todos. Viajei com a Martha Medeiros, e o
Ignácio Loyola, que achava com um jeito turrão e sério, é uma figura super
simpática e me contou o fim do seu livro “ Veia bailarina”, fiquei de mandar
minha crônica “O peixe bailarino”. Salim Miguel, Antônio Torres, Affonso
Romano, Marina Colasanti, Carlos Nejar, Renato Tapajós, Deonísio da
Silva, Mano Melo, Abel Silva, Ricardo Silvestrin, Ruth Rocha, Ziraldo,
Frei Beto, não dá pra lembrar os nomes, uma fila de mais de cem pessoas
entre escritores, mímicos, poetas e artistas.

E não posso esquecer o rosto alegre da mentora de tudo isso, sempre
sorridente até no horário da nossa partida às cinco horas da manhã, a
Tânia Rösing - que montou seu sonho da Jornada Literária numa lona
de circo e lotou com mais de quatro mil pessoas.

Preciso só descrever a cena que ninguém viu mas todo mundo vai
sentir a emoção comigo. O Alcione Araújo é um escritor daqueles
em que o “fator humanidade” pesa mais que tudo. Ele tinha acabado
de dar uma entrevista para umas estudantes e pude ver a moça loira
chorando com o gravador na mão e o escritor derramando uma lágrima
sentida quando falava da fome no Brasil. Gravador desligado, coração
apertado.

Chega uma garota de dezessete anos com o nome Wanderléia, com os
olhos cheios de lágrimas e falando passagens do livro “Nem mesmo
todo oceano” do Alcione, um livro tão grosso como o ultimo livro que li
“Crime de castigo” de Dostoiévski . O escritor olhava incrédulo, como uma
garota tão nova poderia estar lendo e apaixonada por sua obra. Ela contou
com riquezas de detalhes cada passagem do livro. Eu ali expectadora da
cena juntamente com as meninas da entrevista anterior. Olhávamos a
candura do encontro de um escritor e uma leitora. Segurava minhas
lágrimas, pois tinha medo de que minhas lentes de contato saíssem
nadando com o acumulo de água nos meus olhos. Mas a sua ultima fala
desarmou todos nós. A menina disse.

– Olha, adorei seu livro, li todo e vim de outra cidade só para te conhecer.
Eu li seu livro emprestado, não tenho dinheiro para comprá-lo.

Nós nos abraçamos numa rodinha, escritor e leitores juntos, numa
comunhão de sentimentos. Nem me lembrei que ia perder as lentes
de contato no choro compulsivo.Nunca tinha visto um escritor chorar
abraçado com um leitor. Choramos todas as lágrimas que encontramos
nesse Brasil, sem dinheiro, com fome de cultura, de leitura. Isso é fundo...
muito fundo, é um poço fundo de uma dor da impotência de não poder dar
livros a quem quer ler.

________________________________________________________
Rosi Luna é jornalista em Campinas - SP, não é escritora, pois não
tem livros publicados: “Tenho meu olhar e minhas palavras pra achar
pessoas anônimas que viram astros por sua força, por sua coragem,
por seu sonho.”
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sexta-feira, agosto 24, 2001

BORGIANDO BORGES

Alguém tem um livro que chama
"Luna de Enfrente"?

Ausencia
[Jorge Luis Borges]

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.
____________________________________________________
* A Lalá é um "borgiana" convicta, eu já nem tanto,
gosto dos seres imaginários dele, dessa coisa transparente
de se mostrar. Separei aqui uns trechos quem nem
vou citar a fonte que esqueci onde li, mas que gosto
muito. Ficou enorme esse "post" mas leia, que garanto
que vc vai se maravilhar com as observações. Hoje
24 de agosto seria niver do Borges. Parabéns e veja na
sua bola de cristal do livro Alef!!!
______________________________________________________
"Ocupou algumas cátedras nas universidades de Buenos Aires,
Texas e Harvard, sem outros títulos oficiais a não ser um vago
diploma obtido em Genebra e sobre o qual a crítica está
investigando... dizem que nos exames nunca fazia perguntas, mas
convidava os estudantes a escolher e tratar de um aspecto qualquer
de um tema. Não queria datas, afirmando que ele mesmo as
ignorava. Abominava as bibliografias, pelo fato de servirem apenas
para afastar os estudantes das fontes...

Consta, de fato, que o primeiro a se maravilhar com esse
sucesso foi o próprio escritor e que temia ser declarado impostor...
Desacreditou o livre-arbítrio e gostava de repetir a seguinte frase
de Carlyle: A história universal é um livro que somos obrigados
a ler e a escrever incessantemente e no qual nós também
somos escritos.
* Este texto foi escrito pelo próprio Borges, uma pequena biografia
que faria parte de uma certa Enciclopédia Sul-americana, a ser
publicada em santiago do Chile em 2074. "


"Dizem que eu fracasso porque tenho certos tiques, certas
repetições. De maneira que quase não me atrevo a
escrever espada, labirinto, espelho, pois imediatamente se
descobre que sou eu. Mas, ao mesmo tempo, custa-me
evitar estas palavras, que se me impõe. Sem dúvida,
tenho outros hábitos sintáticos dos quais não tenho
consciência. Um estilo é feito de tudo isto: dos hábitos
sintáticos, do gosto por certas cadências na prosa ou no
verso e, também, da reiteração de certos temas. "

quinta-feira, agosto 23, 2001

PALAVRA DE NELSON

* Hoje é 23 de agosto, seria aniversário do
Nelson Rodrigues. O que tenho em comum
com ele? Meu primeiro namorado foi meu primo.
Gosto de falar uma pornografiazinha.
Acho o título "bonitinha mas ordinária" o máximo!
Para o Nelsinho tudo era possível...
ele sempre descobria uma forma inusitada de amar...
E concordo inteiramente com ele:
"A burrice é uma forma de loucura"
e complemento: a inteligência é uma forma de sanidade.
Compre dois neurônios e resolva seu problema.
[Luna]
---------------------------------------------------------------------------
Sou um menino que vê o amor pelo buraco
da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci
menino, hei de morrer menino. E o buraco
da fechadura é, realmente, a minha ótica
de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo
pornográfico.

Os jardins de Burle Marx não têm flores.
Têm gramados e não flores. Mas para que grama,
se não somos cabras?

Numa simples ginga de Didi, há toda uma nostalgia
de gafieiras eternas.

Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.

A fidelidade devia ser facultativa.

A burrice é a pior forma de loucura.

Frases extraídas do livro "Flor de Obsessão"
Cia. das Letras - São Paulo, 1997,
organizadas por Ruy Castro.
UMBIGO

umbigo e rosa
verso e prosa
fantasia e melindrosa
pele e prazeirosa
cheiro e apetitosa
mulher e gostosa

[ Luna]

PS. amo umbigo... um bigo.
e quando for dois bigos?
acho uma taça perfeita,
pra encher de champanhe
e sorver aos pouquinhos...
_____________________
Quinto Motivo da Rosa
[Cecília Meireles]

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.

terça-feira, agosto 21, 2001

DOCE

Tá vendo a que ponto cheguei?
Leia isso "the whole nutrition bar for women".
A Cris trouxe ontem dos Estates, uma barrinha
só para Luluzinhas e com meu singelo nome Luna.
Não vou oferecer nenhum pedaço para Bolinhas.
Tome língua :0P
Eu tenho um doce só para mulheres,
a gente merece uma guloseima só nossa!
Esses gringos sabem fazer "marketing"!!!
RAUZITO

Em um 21 de agosto, ele foi fazer seus questionamentos
no andar de cima. Não quero imitar ninguém, mas tem
frases dele que gostaria de ter escrito. Tento ser normal
todo dia e tem dias que consigo, como hoje! [eu-Luna]

"Que capacidade impiedosa essa minha
de fingir ser normal o tempo todo!"

"A desobediência é uma virtude necessária
à criatividade."

"Se por acaso eu cair em contradições,
deve-se ao simples fato de eu ser gente
e as pessoas são por natureza contraditórias,
pois acredito que não haja nada perfeito e
coerente no mundo que nos cerca... "
[Raul Seixas]

segunda-feira, agosto 20, 2001

CORA CORA LINDA

CARTA DE DRUMMOND A CORA CORALINA
Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1983. Minha querida
amiga Cora Coralina: Seu "VINTÉM DE COBRE" é, para
mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as
oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e
comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de
experiência humana, que sensibilidade especial e que
lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje
não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que
nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...). Não lhe
escrevi antes, agradecendo a dádiva, porque andei
malacafento e me submeti a uma cirurgia. Mas agora, já
recuperado, estou em condições de dizer, com alegria
justa: Obrigado , minha amiga! Obrigado, também, pelas
lindas, tocantes palavras que escreveu para mim e que
guardarei na memória do coração. O beijo e o carinho do
seu Drummond.

Sua obra se caracteriza pela espontaneidade e pelo
retrato que traça do povo do seu Estado, seus costumes
e seus sentimentos. Utilizando-se de ricos jogos de
palavras, comenta a própria vida (ou vidas) e sua terra
natal, abordando temas profundos, mas com simplicidade.
________________________________________________

Em 20 de agosto de 1889 Nascia a poeta goiana Cora Coralina,
pseudônimo de Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas.
Cora Coralina era chamada Aninha da Ponte da Lapa e
Trabalhou como doceira, na cozinha da Casa da Ponte,
produzindo seus versos ao pé do fogo. Publicou seu
primeiro livro aos 75 anos de idade e continuou lúcida até
quase os 96 anos, quando morreu em 1985. Nesses 96
anos, 78 foram dedicados à escrita. Inúmeras foram as
participações, condecorações, homenagens e prêmios
recebidos. Frequentou somente o curso primário e
recebeu o título "Honoris Causa" pela Universidade
Federal de Goiás de DOUTORA FEITA PELA VIDA.
Em 1979, recebe uma carta de Carlos Drummond de
Andrade , a qual a lança definitivamente ao Brasil como
uma grande poeta.
[fonte rádio Nova FM]

PS. Gosto de pessoas naturais, que fazem versos
como fazem doces, que adoçam a vida com palavras.
A Cora cora cora linda era assim! Parabéns garota!