quinta-feira, junho 27, 2002

CAPITÃO MOURO

Conheci o autor Bourdoukan ao vivo e a cores
em um seminário que teve aqui em Campinas
não faz nem dois meses.
O cara é uma figura, além do autógrafo me
deu um desconto de 1 real pois viu que eu
não tinha o valor todo do livro. O argumento
está com a Globo e logo Capitão Mouro
pinta na telinha do plim plim, enquanto isso
vou lendo pois gosto muito de temas
históricos e esse tem como cenário a
Capitania de Pernambuco, quer mais?
Então pega um queijo de coalho e vai ler.

"- Veja você o que é fidelidade - concluiu. - Cuidava dele
em vida e agora cuidar dele na morte.
- Loucos... São todos loucos...
- Humanos. Apenas humanos.
...
Safudim só tinha olhos para Maria. Esse era o nome
da ex-escrava, como aliás era o nome da maioria das
mulheres daquela terra.Para distinguir uma Maria da
outra, havia sempre um segundo nome. O dela era
Aparecida. Maria Aparecida."
[Capitão Mouro - Georges Bourdoukan]



quarta-feira, junho 26, 2002

O DIA EM QUE QUASE MATEI PAPAI

eu desfilando no Clube dos 30

Hoje é aniversário do meu pai e fui pegar umas
fotos antigas e lembrei desse dia.
Ele tinha deixado eu desfilar para uma boutique
e era no Clube dos 30 numa cidade
do interior de Pernambuco. O que não contei
é que ia ter moda praia e que eu ia desfilar de
maiô e biquine. A hora que ele viu quase foi
lá me tirar e eu toda faceira na passarela que
era só uma fita demarcando e todos aqueles
matutos me olhando. Quase matei papi nesse
dia do coração. Ele falava eu deixei ela desfilar
mas não era assim PELADA... até hoje lembro
da carinha dele dando bronca na minha mãe.
Depois fui eleita Miss Perna... outro dia conto
essa história... fui olhar minha postura era
bem retinha como convinha a uma boa bailarina.
Saudades desse tempo que não volta mais.
E meu papi sempre terá surpresas minhas eu
nunca fui de contar tudo...
*** não sei quantos anos eu tinha, sei que
morava em Santos e estava lá de férias.
publiquei 2 vezes
esse blog tá louco...

terça-feira, junho 25, 2002

COPA

bandeirinhas da copa
que filipe desenhou hoje

Deu um sono no garoto e não acabou o desenho, mas resolvi
colocar aqui pra ser amuleto da sorte, ele já separou a
camisa da seleção pra vestir e aí BRASIL é só derrubar
a Turquia pra gente fazer aquela orgia... só pra rimar.


segunda-feira, junho 24, 2002

MINHA BEBIDA
MINHA CACHAÇA

fui tomar essa garrafinha de Amarula
coloquei um cd e abri um livro de poesias
de papel bíblia de Vinicius de Moraes

Tipo nada como uma boa música, uma boa bebida
e um bom livro e aí abri numa página aleatória.
Achei que esse trecho combinava com a imagem:
"Minto, violo, roubo, bebo, mato"

Faço tudo isso quando estou apaixonada:
minto o que não precisa ser dito
violo um portão para encontrá-lo
roubo um coração e saio sem pedir nota fiscal
bebo uma garrafinha de amarula com chocolate
e mato, mato ele de amor, é dessa morte que falo

*** de Cordélia e o Peregrino de Teatro em versos
Vinicius de Morais

O Peregrino
Amor? Não sei... Tu és talvez amor.
És um lugar. És como uma casa
Na montanha, a se repetir
Através de etapas de solidão.
Não sou eu que te quero, és tu que existes
Em meu caminho, como uma pequena presença
Fatal. A fatalidade é tua, não é minha
Eu ando; ando após a tempestade
Que deixas onde passas; és o ar
Que eu respiro; sabendo-te
Descanso; sofro às vezes, mas um segundo teu
Renega tudo. O crime
É a presença de prazer no teu corpo
De mulher; tu chegas e eu
Sei que, oculto no teu ventre
Palpita-te o sexo, quente como um fruto
As que minha força de homem dá direito. Por isso
Minto, violo, roubo, bebo, mato. Tu vês
É impossível! Onde tu vais
Vai-te o sexo. Posso senti-lo
Em cada movimento teu. Que demônio
És tu, mulher, para conseguires viver
Assim violentada por ti mesma?

Cordélia
E o amor?

O Peregrino (irônico)
Ah, o amor... o inantingível
O invisível, o ausente, o omnisciente
Amor, a sugar como um vácuo
Imenso na criação, a vida de tudo o que existe...
...
Cordélia
Toma-me, vem.
Se provares de mim, esquecerás
O mistério. Não há mistério.
Em nada. É tudo a unidade
Da vida. Meu corpo te repousa...

domingo, junho 23, 2002

MOVIES MOVIMENTADO

Estarei em um curso em Campinas no domingão
inteiro, ministrado pela Janaina da Zangá Produções,
produção e preenchimento de projeto de cinema.
Parece que meus fins de semana estão sendo dedicados
a sétima arte. Quem sabe um dia não vou estar sentada
num cinema vendo o crédito com meu nome passar
e ter o bel prazer de assinar uma película.
BRINCO DE HELOISA

par de brincos que comprei no mercado mix
e batizei carinhosamente de"brinco de heloisa"
e pedi pra trocar, ela vendia os dois iguais
e os meus são um com olhinho aberto
e o outro dando uma piscadinha, bem
cara de heloisa... naquela piscadinha
que diz tudo...

"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente te procuro
em meu pensamento. Trago tua
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo"
[Carta de Abelardo a Heloísa]

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar
conforto.Só tu tens o poder de me
entristecer, de me fazer feliz
ou trazer consolo."
[Carta de Heloísa a Abelardo]

*** o mundo é cheio de coincidências,
estou lá na minha Ong de Cinema, numa
das reuniões habituais, conversando com
um participante, chego perto dele e brinco.
- Nossa, Timo seu nome me trás
lembranças tristes de Timor Leste.
Ele responde:
- Timo é meu apelido.
Meu nome é José Oswald Andrade Neto.
Sou neto de Oswald de Andrade.
Eu falo indignada, não acredito
que vc nunca me disse que era
neto de Oswald. E ele me fala
com aquela simplicidade incrível
- E ia mudar alguma coisa? E respondo.
- Ia mudar sim, pq ser neto de Oswald é
incrível, maravilhoso, quero saber tudo.
Vai ter que me contar muitas histórias
e começa com as dele com Drummond.

*** aqui tem uns detalhes da peça do
avô do meu amigo Timo (neto de Oswald)
"O Rei da Vela - Oswald de Andrade
Escrita em 1933 e publicada em 1937, o Rei
da Vela constitui-se no texto teatral mais
importante de Oswald de Andrade. A peça demorou
trinta anos para ser apresentada em São Paulo,
pelo Grupo Oficina, sob a direção de José Carlos
Martinez Correia; a encenação marcou época na
história do teatro brasileiro.

... As personagens têm os nomes de dois famosos
amantes da Idade Média: Abelardo e Heloísa. Ele,
um teólogo francês de século XII, ela, sobrinha
de um sacerdote. Pouco tem a ver, portanto, com
as personagens oswaldianas. Nesse sentido,
o autor usa os nomes de modo paródico, uma vez
que Abelardo I se une a Heloísa por puro interesse:
é um agiota, que vive da exploração dos outros,
cujo devedores se apresentam, na peça, dentro de
uma jaula. Heloísa de Lesbos pertence à aristocracia
rural brasileira, falida e em decadência. Deste modo,
o sentido romântico do texto original fica totalmente
subvertido pela moderna interpretação de
Oswaldo de Andrade."

quinta-feira, junho 20, 2002

YES BRASIL!

adivinha quem é a torcedora?

"Yes" Brasil nós temos bananas
"Yes" Ingleses vcs tem o chá...
e fiquem com um chá de cadeira.
Brasil Brasil Brasil
é my Football
Chuta lá...
Golllllllllllll

PS. vou acordar no barulho de fogos do
primeiro gol, tenho que lembrar de colocar
meus cabelos verde amarelos, um charme, né.



quarta-feira, junho 19, 2002

POEMAMOROSO

obra de Frederico Ernesto

SEXO SEM NEXO
[by Luna 19.06.2002]

sexo é colorido
um lençol remexido
sexo é um lance
um olhar de relance
sexo é pele
uma fogueira na neve
sexo é mão
um amor na contra-mão
sexo é barriga
uma dor de entriga
sexo é umbigo
uma semente de figo
sexo é textura
um corpo na moldura
sexo é as preliminares
uns suspiros estrelares
sexo é bunda
um morder a maçã polpuda
sexo é profundo
um inundar mundos e fundos
sexo é o finalmente
um gozo cadente
sexo é sexo
sem nexo
só prazer






segunda-feira, junho 17, 2002

PRESA NA ARMADILHA
[filme da Rede Globo hoje]

meu amadinho Sean

Tenho "N" motivos pra falar do Sean Connery,
acho ele lindo, tem uma voz, tem um charme,
tem mais de 60 anos, tem um sorrisinho de moleque,
tem tudo pra ser um homi apaixonante.
É o ator que mais gosto na vida, não me encanto
por esses rostinhos bonitinhos e nem por montanhas
de músculo. Gosto de homi com cara de homi.

Quando assisti o filme Armadilha pela primeira vez,
sonhei umas 3 noites com aquela cena dele dormindo
com a atriz desse filme. Toda aquela proximidade
e eles não fizeram nada, foi a cena mais sensual
do planeta. Aliás esse filme é um "T" maiúsculo -
um tesão. Hoje vou assistir de novo.
O personagem do Sean é um ladrão com um
super QI, é mole? Me apaixonei perdidamente.

"Primeiro nós tentamos, depois nós confiamos".
- Robert MacDougal (Sean Connery)

ASSINO EM BAIXO DESSE DEPOIMENTO:
"Ela diz que, se a convidassem para limpar os sapatos
de Sean Connery, topava na hora. Que, se há três anos
afirmassem que ela contracenaria com o ator escocês,
daria risadas. E mais: trabalharia de graça ao lado
do ex-007. Ela é Catherine Zeta-Jones. E, diremos
nós, homens, só ela vale Armadilha."
[roubei de um site com dica do filme]

PS. e vc vai assistir? mais tarde vou passar
superbond na minha bunda no sofá... não
desprego de lá, nem morta... eu recomendo.
É DIA DE LANÇAMENTO
DE LIVRO

Galera do Rio de Janeiro
não deixem de prestigiar
É HOJE...

Mecânica dos fluidos
de ReNato Bittencourt Gomes
(Editado pela Imprensa Oficial do Paraná)
17 de junho (segunda-feira)
Livraria do Museu
Palácio do Catete, rua do Catete, 153
a partir das 19h - Rio
BRASILLLLLLL IL IL IL!!!

domingo, junho 16, 2002

SAL SAUDADE SALZBURG

estou com mania de colocar efeito
de ilustração nas fotos, olha só minha
carinha com nariz vermelho do frio
[essa foto tem uns mil anos, anos 90]

AGENDA DE LUNA (muda toda hora)
Sexta-feira quase meia-noite estava enviando a crônica
com o tema "enigma". Eu estava tão birutada que coloquei
um enigma muito do sem graça. Agora revelo o verdadeiro
enigma, vi marionetes, flautista e violinos em Salzburg.
Sem contar a montanha de chocolates e licor de Mozart.
Entendeu agora, aquele jantar da crônica nunca aconteceu,
mas várias passagens que escrevi eram
reais, viu que enigma?

FESTA JUNINA ONTEM (dia todo)
"Alô galera... bate a mão e bate o pé.... "
E ao som de Rio Negro e Solimões, o Filipe
dançou bem ao estilo da mami bailarina, acabou
com os braços abertos como se estivesse num palco
bem estilo mini-superstar, tem a quem puxar, né!
O garoto é amostrado todo e apesar de querer
por toda força ser jogador de futebol, é uma pena
que a dança vai perder um grande talento.

Eu trabalhei como voluntária na barraca de doces,
foi um sucesso só. Saldo: não sobrou doces.
Tinha inclusive de batata doce roxa feito no tacho
por um vózinha, sabe doce caseiro? Então peguei
até a dica de fornecedor porque vou querer
visitar e fazer encomendas pra essa senhora que
tem doces tão gostosos.

Faltei a minha aula de cinema documentário,
mas a causa foi nobre, não perco uma quadrilha
do filhote por nada. Aliás aquele tumulto de pais
pra tirar foto é hilário. Meu caipirudo estava uma
graça.

SEVEN
Ontem assisti o filme do supercine até a madrugada.
Os pecados capitais, temo confessar, acho que iria
padecer com todos eles. Talvez menos gula e avareza.

DOMINGÃO DE FILMÃO
Alguém viu o homem aranha pendurado por aí?
Então, vou ver, depois te conto.
Vai uma pipoquinha aí?


sexta-feira, junho 14, 2002

CLONADA
eu vou eu vou eu vou
ver o Clone agora eu vou
confessa que vc tb vai ver...
GENTILEZA

minha cara essa camiseta
ainda bem que tá aqui na
minha gaveta, eu amei

Jogo do umbigo
Marina W e Luna
[plágio não autorizado]

um bigo, dois bigos
como é mesmo?
umbigo

W - Nunca pintaria as paredes da minha casa de preto
L - Eu pintaria as paredes da minha casa de azul hortênsia
(tem um quarto aqui dessa cor e adorei)
W - Sempre leio alguma coisa quando estou comendo
L - Sempre como alguma coisa quando estou escrevendo
W - Às vezes gosto de tomar chá de televisão
L - Às vezes gosto de tomar amarula vendo televisão

W - Sempre tomo uns três banhos de banheira por dia,
quando estou em hotel
L - Sempre arrumo a mala o tempo todo quando estou
em hotel.
W - Às vezes penso em trocar de nome
L - Às vezes penso em adotar meu sobrenome como
nome de tanto que me chamam por ele.
W - Nunca durmo com a televisão ligada
L - Quando durmo desmaio se está ligada ou não,
nem sei. Eu entro em alfa quando durmo e não
acordo fácil, tem que passar um trem pra eu acordar.

W - Nunca leio um livro de contos pela ordem
(escolho pelo título)
L - Idem Idem Idem
W - Sempre faço orelhas nos livros
(mesmo que tenha marcador)
L - Eu nunca faço orelhas em livro. Mas outro
dia sonhei em ter um livro com desenhos de
orelhas de verdade e com brincos e que convidaria
um escritor que eu gostasse pra escrever. E acredita
que ele aceitou? Sonho, né...
W - Às vezes leio o mesmo livro, três, quatro vezes
L - Às vezes leio o mesmo livro, diversas vezes
pra não dizer milhões, principalmente os de poesia.

W - Às vezes penso em morar no campo
L - Às vezes penso em morar na Itália
W - Nunca tomo banho sem molhar a cabeça
L - Eu não lavo meus cabelos todos os dias
pq acho que tenho pouco cabelo e se eles caírem
serei careca como aquela cantora.
W - Sempre quis ser fotógrafa
L - Sempre quis ser cineasta

W - Às vezes penso em morar no campo
L - Às vezes penso só em ter um campo
cheio de rosas e morar na cidade mesmo.
W - Nunca tenho pesadelos
L - Tenho sonhos coloridos e as vezes
eles acontecem, me disseram que sou
paranormal, vai saber, morro de medo de mim.
W - Sempre reclamo quando toca o telefone
L - Sempre atendo o telefone, aliás um beijo
na boca Granbell, eu te lóvu por ter tido essa
idéia do trim trim.

PS. roubei esse jogo do Blowg

quinta-feira, junho 13, 2002

ADVINHA QUAL É MEU SIGNO?
*** será que o cara que escreveu isso me conhece?

Aquário é o 11º signo do zodíaco. Os aquarianos são
estranhos e gostam de ser assim. Estão sempre a
sonhar e adoram fazer planos, quebrar as regras e
conhecer novas pessoas. São bastante liberais.
Têm poucos inimigos e muitos amigos. Não se
preocupam com o que os outros possam pensar
deles. São um pouco cabeças no ar. Apesar de
serem bastante individualistas, gostam de trabalhar
em grupo. Os nativos deste signo necessitam de
espaço mas o amor tem um grande significado nas
suas vidas. Aliás, quanto mais espaço tiverem mais
fiéis serão. São o signo do amor fraterno. Principais
características: independente, intenso, intelectual,
revolucionário.
23 DE JANEIRO

*** descobri numa dica da Lalá, clica
no blog La vida es Sueño (coluna vinho)
o site é:
http://aniv.pt.vu/

Fazem anos neste dia...

1783 - Sthendhal (escritor)
1832 - Édouard Manet (pintor)
1898 - Sergei Mikhailovich Eisenstein (cineasta)
1928 - Jeanne Moreau (actriz)
1944 - Rutger Hauer (actor)
1957 - Princesa Carolina de Mônaco

*** sei que João Ubaldo também é desse
mesmo dia, estou achando interessante
saber que tem escritores, pintores, cineastas,
atrizes e até uma princesa, tem tudo haver
comigo, né... eu queria ser tudo isso...

PS. aliás alguém sabe qual era cor do
cavalo branco de napoleão? e alguém sabe
que dia 23 de janeiro é o meu aniversário?
tudo tão óbvio...

quarta-feira, junho 12, 2002

12 de junho
*** dia dos namorados, estou indo fazer um curso
no Ministério da Cultura em SP, saindo correndo
atrasada, não dá pra pensar em nada romântico
assim, quem sabe a noite coloco algum poema.
Feliz Dia dos Namorados, Apaixonados, Encantados,
ouvi essa música no rádio agorinha e acho que ela
diz tudo principalmente no trecho: brinca de se
entregar.... sonha pra não dormir... é lindo isso!

SAIGON
Emílio Santiago

Tantas palavras, meias palavras,
nosso apartamento, um pedaço de Saigon
Me disse adeus em um espelho com batom
Vai minha estrela, iluminando,
Toda esta cidade, como um céu de luz neon
Seu brilho silencia todo som
Às vezes você anda por aí, brinca de se entregar,
sonha pra não dormir
e quase sempre eu penso em te deixar e
é só você chegar, pra eu me esquecer de mim.
A noiteceu, olho por céu e vejo como é bom
ver as estrelas na escuridão. Espero você voltar pra Saigon.
A noiteceu, olho por céu e vejo como é bom
ver as estrelas na escuridão. Espero você voltar pra Saigon.

segunda-feira, junho 10, 2002

ENTREVISTA COM FREUD

*** Borba meu gato, não resisti a um suflair, digo um affair.

O Le Casserole, fundado em 1954, é o primeiro bistrô francês
instalado na cidade de São Paulo, no bucólico Largo do
Arouche. Oswaldy Alex ( sua mãe errou na hora do registro
não lembrou o nome certo de Woody Allen) faz parte desse
bistrô como profissional e toca piano clássico em todas as
quintas-feiras à noite. Você pode vê-lo e até pedir uma música,
como eu fiz. Fiquei numa mesa perto do pequeno tablado de
palco improvisado e quando Oswaldy levantou-se fui cumprimentar
(tinha ouvido seu nome na apresentação do couvert artístico da
noite). Estavam uns caras do meu curso de cinema, e uma colega
loirinha, pra dizer a verdade uma sirigaita de olhos azuis chamada
Celinha e tinha também vários fixionados por vídeo, os ditos
videomakers. Oswaldy é muito gentil e simples, quase uma
havaiana. Chamou-me pra sentar e logo ficamos numa boa, de
cara falou que me achou boa de corpo. Confesso amei
a sinceridade. Odeio esses caras que ficam com aquele papinho
pseudo-intelectual, aliás nunca soube entender os pseudos
qualquer coisa. Embora a Celinha não dava uma folga, ficava
parecendo um entulho, aposto que nunca ouviu um piano na vida.
Ele gostou de saber que existe uma grande platéia pra ele no
Bistrô e que eu, além de fã de seus arranjos no teclado, também
traço seus poemas. Fez questão de perguntar o que eu achava da
publicação pelo editor português.
"Fluente, embora muitos versos escravos. É do escritor Castro Alves.
- eu disse. - Principalmente porque achava que ele devia usar com
afeição a forma coloquial brasileira, (tipo bunda é bunda e não é
nádega, entende) que é parecida com a sua expressão literária.
" Comentei os bons diálogos dos livros e lembrei como exemplo o
conto "A Burra que tinha diploma".
"Deve ser difícil o editor português entender a diferença da nossa
língua que acho muito mais sacana."
"O português do Brasil pode ser altamente sacana" - falei. - "Aquela
sacanagem séria, de bom gosto." E citei uma parada daquele conto:

O sujeito tava afim de dar uma, sabe umazinha só e sem
complicações. Ficou entre a bonita e inteligente e a bonita e burra.
A bonita e inteligente chamava Maria Del Carmem, psicóloga, falou
a entrevista de Freud a noite toda. Acabou o tesão de tanta seção
e terapia. Apareceu a Luana era bonita e burra, resolveu encarar.
Ela disse que tinha um diploma, nem deu tempo de perguntar de
que? O tesão era tão grande que a mesa quase levitou. E partimos
pro esfrega entrega. A Luaninha lá pelas tantas murmura algo do
tipo f...oid, f...oid,. f...oid.

Me levantei sobressaltado, o que disse FREUD DE NOVO, NÃO!

E a Luana me disse com uma olhar lindo de súplica, não disse
isso, falei fode, fode, fode. Não teve broxada, foi o Freud ou o
Fode mais paudurecente da vida. A garota podia até ser burra
mas lá pelas tantas começei achar ela inteligente. Era a
diabinha em pessoa, não falou nada sobre livros e personalidades.
Beijou, lambeu, extremeceu, foi extâse puro. Não perguntou nada
se a encontraria , pra ela não existia o dia seguinte. E me embalei
naquela burrice que era o atestado de maior inteligência
que achei em uma pessoa. Nos amamos como se o mundo fosse
acabar numa explosão de sexo. Foi complicado pra saber dicernir
que tipo de mulher seria a ideal. Nós rimos muito quando ela disse
que naquela hora tinha falado Freud e gostava muito do tal pai
da psicánalise.

Quem sou eu, para entender as mulheres e suas curvas
de pensamento e de corpo. Às vezes o caminho é sinuoso e
me perco nessas estradas e acabo morrendo de amores em túneis
de prazer. Estava amanhecendo. Saímos todos numa caminhada até
a Consolação, enquanto a silhueta da Ipiranga começava a se
desenhar num céu cor de grafite. A Celinha inventou de cantar o tema
do filme Blade Runner e eu que nem sou boba puxei meu amado pelo
braço e falei sei tudo sobre Freud, mas faço como aquela burra do diploma.

E cá pra nós o Oswaldy confessou que a Luaninha tinha um nominho,
um corpinho, um jeitinho bem mais fácil de administrar. Ele disse que
deixaria a Maria Del Carmem, pra alguém que quisesse um carma,
um modelo de mulher que só serviria para Secretária da Cultura.
Ficou com o tesão na outra e na sua aparente burrice. E ainda
finalizou enfático: é nos burros que está a sapiência. Luana
aquela é que era mulher de verdade, não é Amélia, diz aí Mario Lago.

E eu nem me apresentei, meu nome é Luara, ele já me convidou
pra tocar piano no terraço da casa dele vendo a lua. E claro, já
disse SIM. E não se fala em divã, nem Freud, pelo menos vou tentar.
[Este é um texto de plágio ficção literária e nada tem a ver com a realidade]
Lilica (Rosi Luna).

PS. se alguém quiser ler o texto original que sugeriu essa
brincadeira, chama-se "Entrevista com Woody Allen" deixa
o e-mail no comentário que mando, vai morrer de rir com as
comparações o dele era um pub e esse é um bistrô mas tudo
acaba em sexo e em mulher, eu garanto.

PS1. esqueci de contar um detalhe, fui uma vez no Le
Cassarole, depois de assistir a peça "Os Mistérios de
Irma Vap" que noite que noite que noite... o filme
"Uma linda mulher" não era nada perto do vestidinho
tré chic que eu estava.

domingo, junho 09, 2002

LUTO POR TIM
OU MELHOR SERIA
LUTO POR TI

*** em homenagem ao jornalista Tim Lopes, foi
confirmada sua morte por um tal Elias Maluco,
tinha que ser maluco mesmo pra fazer uma
covardia dessas. Hoje é domingo,
e ouvi a notícia na Globo no meio da corrida.

Eu abri um livro agora que chama
"Repórteres" organizado por Audálio Dantas
e na folha de rosto tá escrito:

"À memória de Vlademir Herzog, repórter que
foi morto num tempo escuro."

Como boa plagiadora escreveria assim:
À memória de Tim Lopes, repórter que foi morto
num tempo obscuro, de funk, drogas, bandas e bundas.

Só tenho a dizer que estou de luto por
ver mais um jornalista indo embora dessa
forma violenta. Onde vc estiver Tim Lopes,
faço tim tim, brindo a todo seu trabalho e
principalmente ao seu lado humano e social
tão evidente.

Deixo essas palavras copiadas do livro:
"Repórteres são, pois seres que perguntam.
Sabem perguntar, portanto, já é meio caminho
andado para um bom exercício da profissão .
...
De um bom repórter exige-se até uma certa
dose de megalomania, na medida suficiente para
que ele acredite, em momentos de exaltação,
ser capaz de de mudar o mundo. O diabo é
que às vezes, ele consegue.

Eu completo:
um jornalista, um repórter, um poeta
sempre sonha em mudar o mundo,
ir fundo, inventar viramundos e
fazer versos com raimundos.
[by Luna]