domingo, setembro 30, 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
terça-feira, setembro 25, 2007
terça-feira, setembro 18, 2007
segunda-feira, setembro 17, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Ele procurava ver outros pés, mas parece que todos estavam presos, ninguém quase usava sandália. Nada, não dava pra ver nenhum dedinho de fora. O pé ia fazendo observações pelo caminho.- O mundo era mesmo muito fechado, como um coturno do exército.
Todos os pés ali presos e sem luz dentro de um sapato e sem poder observar o sol que brilhava tão lindo lá fora e o principal sem poder tomar pé da situação.
Pegou um pé de estrada e resolveu que iria caminhar até chegar ao encontro. O pé planejou cada sensação que gostaria de sentir. Primeiro um longo abraço, depois um café fumegante e em seguida uma música. O pé queria dançar, se sentir embalado...
As cenas foram acontecendo como só um pé de imaginação poderia sonhar. Eles não tinham pé-de-meia e nem planos pra um futuro. O pé feminino foi amado por um pé-de-página.
Eles perderam os pés e a cabeça e viraram um pé de fantasia. Como ele era um pé-quente o amor foi tão grande que quase foi preciso chamar um pé de vento... [texto Lunático sem pé e sem cabeça]
quinta-feira, setembro 06, 2007
Dei uma dormida violenta, coisa de bela adormecida...
um dia que fui dormir as 3h. da madruga terminando
um trabalho me deixou pior que a destruição da Bósnia.
Olheiras federais, cara de Mortiça da família Adams,
mas enfim agora parece que minha pele mudou depois
do sono profundo. Imagine que tem uma reforma
aqui no prédio batendo o tempo todo com marreta.
A faixineira chegou cedo e me disse agora que não sabe
como consegui dormir. E eu disse não é sono simples é
que estava desmaiada mesmo. Vou ficar por aqui no feriado
e colocar as coisas em ordem, ver se escrevo mais e dar uma
arrumada nos papéis, tem horas que acho que vou ficar
soterrada embaixo deles, sou a rainha do papelzinho,
guardo tudo. Tenho que fazer uma limpa, é que mesmo com
o advento computador continuo gostando dos meus papéizinhos.
Falar nisso minha agenda é manuscrita odeio
números no celular, sou é muito antiga do tempo da poesia.
E tem muito poema perdido vou ver se guardo tudo num lugar
só pra o pós-mortis. Falar nisso fiz um poeminha
com esse tema... vai ver eu tava mesmo morta... enfim...
voltei a vida... respirando... ufa!
sexta-feira, agosto 31, 2007
quem tem boca vai a roma...
quem tem língua vai no museu da língua portuguesa
em sampa... fui borboletear e claricear ontem ...
abri todas as gavetas da sala de exposição
achei a entrada muito escura, bonito cenográficamente
as fotos impressas numa manta transparente mas confuso
pra ler... o que mais gostei foi ler as cartas... caio fernando,
drummmond, amo correspondência... corre para ir
que só vai até o dia 2 de setembro...
quarta-feira, agosto 29, 2007
Tirei folga em plena quinta-feira e vou me dar de presente uma visita ao Museu da Língua Portuguesa para ver a exposição da Clarice Lispector... antes pego mais um diploma para
minha coleção...esse é especial porque estudei até matemática financeira...foi dureza...
ufa ufa consegui... CRECI lá vou eu... o tempo tá todo cronometrado... sem contar engarrafamento na Marginal claro... 8h. saída de Campinas, 9:30 pegar diploma, 10:30h. chegada na exposição... 12h. retorno... vou num bate-volta....
Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranqüilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.[Clarice Lispector]
terça-feira, agosto 28, 2007
domingo, agosto 26, 2007
quarta-feira, agosto 22, 2007
"No seu mundo de sombras, Borges tateava a infinita escuridão sem desespero. Sabia que estava ali dentro e dali não sairia mais, porém não se sufocava por causa da sua condição de cego. Ser cego não é ser triste. E assim ele continuava elaborando na mente seus textos para ditá-los a Kodoma, sua secretária que mais tarde se tornaria sua esposa. A única coisa que o incomodava um pouco naquele seu negro mundo era que não poderia mais ver as cores. Ah, como sentia prazer vendo o mundo das cores! Lamentava por não poder ver mais o vermelho, cor que sempre o seduzira a pensar num poema ou em qualquer coisa a mais. As últimas cores que vira foram o verde, o amarelo e o azul. Depois mais nenhuma cor. Nem o preto. Mas nem por isso ele desistiu. Apenas sentia que o seu corpo estava no escuro, mas sua alma não. Havia muita luz ao redor do mundo dele. Mesmo não enxergando podia imaginar tudo porque sabia como eram as coisas. Afinal já vivera no mundo das luzes do outro lado de lá. Certamente sentia saudades de ver muitas coisas. Quando comia uma maçã, por exemplo, sentia desejo de vê-la. Aquela fruta de casca sedutoramente vermelha em suas mãos causava-lhe fome, vontade de ver. Saudades daquilo que já se apagara dentro dos olhos."
http://www.releituras.com/ne_mfreitas_escuridao.asp
segunda-feira, agosto 20, 2007

EM VÃO
minhas mãos escrevem em vão
letras quentes como fogo de dragão
procurando o tato-retrátil de um sentimento frágil
que foge do meus dedos longos pelo alçapão
procurando o corpo-espaço letrado tão sonhado
minhas mãos pincelam paredes de pele
procurando o desejo-nuance de um romance
fazem carinhos moinhos de vento tufão
tem dedos mindinhos pequenos como um grão
procurando o carinho que vem no carrinho-de-mão
minhas mãos viram pinguins-gelados só de te ver
tem falange que range por uma paixão
minhas mãos tem unhas de um vermelhão
capaz de enlouquecer qualquer homenzarrão
procurando o amor-estação aqui ou no Japão
poesia de mala vazia traga meu bem de trem ou de avião
tem um aperto de mão que diz: oi coração!
[Luna em 20 de agosto de 2007]
sábado, agosto 18, 2007
Amor, minha flor, é teu esse fulgor?
Estado de torpor olhando no retrovisor
Não deixa nosso amor virar isopor
Vem macio, meu mel de abelha
Brincar de cobertor de orelha
Vamos fazer o que der na telha
Amor, minha joaninha, conta minhas bolinhas
Te amo tanto que meus olhos parecem janelinhas
Não deixa nosso amor virar estrelinha
segunda-feira, agosto 13, 2007
Meu amor tem um beijo guardado prá mim
E a cor do baton é vermelho carmim
Meu amor tem dez dedos cravados em mim
Que me rasga me arranha e me deixa assim
Assim que eu te vi muito louca
Olhei tua boca e ficamos a fim
A fim de fazer um pecado
A cor do pecado é rouge carmim
E a cor do pecado é rouge carmim
Mas a cor do pecado é rouge carmim
[Rouge Carmim - Alceu Valença)






