BLOGADA
Estou blogada, isso quer dizer morgada, morta, cansada.
Não deu pra blogar nada hoje. Quem sabe amanhã?
Vi papéis artesanais lindos, as ilustrações do Drummond
estão simplesmente de outro planeta. Amanhã tem agitos
da Ong e na sexta é o Ciclo do Cinema Novo. Me espera
que eu volto, tá!
quarta-feira, agosto 28, 2002
terça-feira, agosto 27, 2002
MEU ANTONIO
*** amo amo amo um oito deitado, infinitamente
essas palavras, fico lendo lendo lendo encantada com
a rosinha e com os homens ruins que comem cebola crua.
Crônica "Oração", Antonio Maria escrita em 30.03.1954:
"Rosinha Desossée, me tire desse quarto de hotel
e de todas as coisas que entram pela janela; me
leve para longe das palmeiras, mais longe e perto
das coisas mais macias; me faça esquecer (depressa)
os homens ruins -- isto é: os que gostam de cebola crua;
me ensine, Rosinha Desossée, tudo o que eu não aprendi:
a cortar com a mão direita, a usar anel, a tocar piano,
a desenhar uma árvore e valsar; e me lembre do que
eu esqueci -- raiz quadrada, (as mais ordinárias),
frações, latim, geofísica e "Navio Negreiro", de Castro Alves;
depois, me dê, pelo bem dos seus filhinhos, aquilo que eu
não tenho há quase um ano, carinho -- de um jeito que eu
não sei dizer como é, mas que há, por aí ou, pelo menos,
já houve; destelhe a casa, deixe a noite entrar e, juntos,
vamos nos resfriar; espirre de lá, que eu espirro de cá...
agora, cada um com a sua bombinha, inalação, inalação;
lado a lado, sentemos, os dois de perfil para o ventilador;
minhas mãos e as suas não são de ninguém, entendido?;
se interesse por mim e pergunte o que eu sei, que eu
quero exclamar, no mais puro francês: "oh!"...
"comment allez vous"? (...) de um jeito ou de outro,
me tire daqui, pra Pérsia, Sibéria, pro Clube da Chave,
pra Marte, Inglaterra, sem couvert, sem couvert;
está vendo o retrato dos meus 20 anos? de lá para cá,
cansaço, pé chato, gordura, calvície fizeram de mim
essa coisa ansiosa, insegura e com sono, que pede a
você, no auge do manso: você, Desossée, não saia
esta noite e fique, ao meu lado, esperando que o
sono me tome e me mate, me salve e me leve,
por amor ao teu andar, assim seja..."
*** amo amo amo um oito deitado, infinitamente
essas palavras, fico lendo lendo lendo encantada com
a rosinha e com os homens ruins que comem cebola crua.
Crônica "Oração", Antonio Maria escrita em 30.03.1954:
"Rosinha Desossée, me tire desse quarto de hotel
e de todas as coisas que entram pela janela; me
leve para longe das palmeiras, mais longe e perto
das coisas mais macias; me faça esquecer (depressa)
os homens ruins -- isto é: os que gostam de cebola crua;
me ensine, Rosinha Desossée, tudo o que eu não aprendi:
a cortar com a mão direita, a usar anel, a tocar piano,
a desenhar uma árvore e valsar; e me lembre do que
eu esqueci -- raiz quadrada, (as mais ordinárias),
frações, latim, geofísica e "Navio Negreiro", de Castro Alves;
depois, me dê, pelo bem dos seus filhinhos, aquilo que eu
não tenho há quase um ano, carinho -- de um jeito que eu
não sei dizer como é, mas que há, por aí ou, pelo menos,
já houve; destelhe a casa, deixe a noite entrar e, juntos,
vamos nos resfriar; espirre de lá, que eu espirro de cá...
agora, cada um com a sua bombinha, inalação, inalação;
lado a lado, sentemos, os dois de perfil para o ventilador;
minhas mãos e as suas não são de ninguém, entendido?;
se interesse por mim e pergunte o que eu sei, que eu
quero exclamar, no mais puro francês: "oh!"...
"comment allez vous"? (...) de um jeito ou de outro,
me tire daqui, pra Pérsia, Sibéria, pro Clube da Chave,
pra Marte, Inglaterra, sem couvert, sem couvert;
está vendo o retrato dos meus 20 anos? de lá para cá,
cansaço, pé chato, gordura, calvície fizeram de mim
essa coisa ansiosa, insegura e com sono, que pede a
você, no auge do manso: você, Desossée, não saia
esta noite e fique, ao meu lado, esperando que o
sono me tome e me mate, me salve e me leve,
por amor ao teu andar, assim seja..."
segunda-feira, agosto 26, 2002
domingo, agosto 25, 2002
CENA DE FILME
O meu findi foi bem tumultuado, aconteceram coisas
muito engraçadas dignas da Divina Comédia de Dante.
Quebrei a perna do meu óculos em SP e dessa vez não
teve conserto e nem troca de armação. E sorte que tinha
levado a lente de contato, uma mulher prevenida vale por mil
se não como ia poder dirigir o carro na viagem.
Hoje comprei um novo óculos, ele é azul mas parece preto.
É um modelo moderno da Zoomp e eu que pensei que eles
só investissem em jeans. Olhei tudo que era possível mas
todos eram muitos grandes ou não se adaptavam ao meu
nariz. A ótica do Shopping fez o óculos em esquema de
emergência e já estou com ele aqui. Estou me achando tão
estranha, vou demorar pra me adaptar ao novo modelinho.
Assisti tanto filme no findi que nem sei de dá pra comentar.
Vamos por ordem: em SP no meu curso a gente
assistiu " F for fake" de Orson Wells que foi muito
bacana, diga-se de passagem adoro uma mentira.
Depois a noite assisti na Directv, um com Jonh Travolta
que chama "A Senha" bem legal, será que existe um
cara tão rápido como aquele no micro? E hoje assisti
um filme bem romântico, paisagem bucólica "Coração
de Cavaleiro" adoro filme épico, aqueles cavalos,
aquelas armaduras, aqueles vestidos, as donzelas.
Aliás já notou que amores impossíveis é o que movimenta
a indústria do cinema.
Em matéria de amor quanto mais complicado melhor,
né Romeu e Julieta. Parece que aumenta o tesão. E
tem que existir muitos desencontros e tudo deve
parecer absolutamente impossível e no fim nada que
um beijo na boca não resolva e tudo com muito love story.
O meu findi foi bem tumultuado, aconteceram coisas
muito engraçadas dignas da Divina Comédia de Dante.
Quebrei a perna do meu óculos em SP e dessa vez não
teve conserto e nem troca de armação. E sorte que tinha
levado a lente de contato, uma mulher prevenida vale por mil
se não como ia poder dirigir o carro na viagem.
Hoje comprei um novo óculos, ele é azul mas parece preto.
É um modelo moderno da Zoomp e eu que pensei que eles
só investissem em jeans. Olhei tudo que era possível mas
todos eram muitos grandes ou não se adaptavam ao meu
nariz. A ótica do Shopping fez o óculos em esquema de
emergência e já estou com ele aqui. Estou me achando tão
estranha, vou demorar pra me adaptar ao novo modelinho.
Assisti tanto filme no findi que nem sei de dá pra comentar.
Vamos por ordem: em SP no meu curso a gente
assistiu " F for fake" de Orson Wells que foi muito
bacana, diga-se de passagem adoro uma mentira.
Depois a noite assisti na Directv, um com Jonh Travolta
que chama "A Senha" bem legal, será que existe um
cara tão rápido como aquele no micro? E hoje assisti
um filme bem romântico, paisagem bucólica "Coração
de Cavaleiro" adoro filme épico, aqueles cavalos,
aquelas armaduras, aqueles vestidos, as donzelas.
Aliás já notou que amores impossíveis é o que movimenta
a indústria do cinema.
Em matéria de amor quanto mais complicado melhor,
né Romeu e Julieta. Parece que aumenta o tesão. E
tem que existir muitos desencontros e tudo deve
parecer absolutamente impossível e no fim nada que
um beijo na boca não resolva e tudo com muito love story.
sábado, agosto 24, 2002
CINEMATOGRÁFICO
O filme que assisti acabou sendo essa comédia super
xarope por conta dos horários do cinema. Primeiro
a gente deu uma passada no China que a minha amiga
tava roxa de fome. Ela muito tonta coloca no self-service
rolinho primavera de queijo e nem viu que tinha 3 sabores.
Eu muito da cara de pau, espero o japa virar
de lado e troco pelo tradicional que ela queria mas já
tinha colocado no prato. Adoro viver pequenos perigos.
Depois pedi uma banana caramelada que quase ferveu
minha língua. Como ia dar beijo na boca depois disso?
Entramos no cinema antes da hora e quase
fomos expulsas, porque eles ainda iam fazer a limpeza.
Bom falei que minha amiga estava machucada da
perna e quase paralítica. O pior é que eles acreditaram
e falavam pra todos os serventes que a gente podia
ficar por que a moça não podia andar.
Bom o filme é comédia romântica xaropada mas me
diverti muito. A cena do pinto preso no piercing
foi hilária e do jato de água no banheiro idem. O melô
do pinto era assim: "o seu pinto é grande, seu pinto
é forte, não vai caber em mim". Eu ri demais com o
musical e tinha até uma velhinha atleta. A música é
feita com palavras que as mulheres dizem pra agradar
um homem tipo "nunca vi um pinto como o seu", "seu
pinto é maior que o Empire State" e "forte como o
King Kong" essas frases são minhas não estão no filme.
Garantiu boas risadas para uma sexta-feira.
Quem quiser ver um filme bobo recomendo e a Cameron
Diaz é linda e pensa que sabe lidar com os homens. O fato
é que ela começa a gostar de um homem que não dá a menor
bola pra ela. O pior é que é sempre assim. Gostei
dos créditos rolando com cenas do filme que não foram
aproveitadas, é um recurso já utilizado mas funciona
e ri com as cenas de exagero dela. E fico querendo
imitar " Eu quero ficar com ele". Agora quem é ele?
Um príncipe, um avião ou será um paquidermão.
Estou indo pra Sampa para o curso de cinema
e Holiude que me aguarde. Vem filme da Luna por aí.
O filme que assisti acabou sendo essa comédia super
xarope por conta dos horários do cinema. Primeiro
a gente deu uma passada no China que a minha amiga
tava roxa de fome. Ela muito tonta coloca no self-service
rolinho primavera de queijo e nem viu que tinha 3 sabores.
Eu muito da cara de pau, espero o japa virar
de lado e troco pelo tradicional que ela queria mas já
tinha colocado no prato. Adoro viver pequenos perigos.
Depois pedi uma banana caramelada que quase ferveu
minha língua. Como ia dar beijo na boca depois disso?
Entramos no cinema antes da hora e quase
fomos expulsas, porque eles ainda iam fazer a limpeza.
Bom falei que minha amiga estava machucada da
perna e quase paralítica. O pior é que eles acreditaram
e falavam pra todos os serventes que a gente podia
ficar por que a moça não podia andar.
Bom o filme é comédia romântica xaropada mas me
diverti muito. A cena do pinto preso no piercing
foi hilária e do jato de água no banheiro idem. O melô
do pinto era assim: "o seu pinto é grande, seu pinto
é forte, não vai caber em mim". Eu ri demais com o
musical e tinha até uma velhinha atleta. A música é
feita com palavras que as mulheres dizem pra agradar
um homem tipo "nunca vi um pinto como o seu", "seu
pinto é maior que o Empire State" e "forte como o
King Kong" essas frases são minhas não estão no filme.
Garantiu boas risadas para uma sexta-feira.
Quem quiser ver um filme bobo recomendo e a Cameron
Diaz é linda e pensa que sabe lidar com os homens. O fato
é que ela começa a gostar de um homem que não dá a menor
bola pra ela. O pior é que é sempre assim. Gostei
dos créditos rolando com cenas do filme que não foram
aproveitadas, é um recurso já utilizado mas funciona
e ri com as cenas de exagero dela. E fico querendo
imitar " Eu quero ficar com ele". Agora quem é ele?
Um príncipe, um avião ou será um paquidermão.
Estou indo pra Sampa para o curso de cinema
e Holiude que me aguarde. Vem filme da Luna por aí.
sexta-feira, agosto 23, 2002
AGENDA DE LUA
De tarde fui andar na Lagoa do Taquaral em Campinas, foram
2000 metros, não posso me transformar num paquiderme
que nem ao menos faz uma caminhada. Depois tomei
um suco que chama "cetim" feito de manga e abacaxi.
Agora a noite vou ao cinema com minhas amigas, talvez
"Neve pra Cachorro"adoro assistir filme bobo e dá muita
risada. O cara recebe uma herança pensa que tá rico e
aí ganha um bando de cachorros. Já pensou? E o outro
é um filme super sensível "Janela para Alma" que ainda
não fui assistir. Vou checar os horários e escolher.
Amanhã vou pra Sampa, a odisséia das viagens semanais
recomeça. Higienópolis que me espere no cruzamento da
Martinico Prado com Aureliano Coutinho, meu curso de
Documentário vai para o módulo II e agora tem prática.
Hoje também chegou um diploma pelo correio do curso
de Produção pra Cinema que fiz na Zangá Filmes.
Estou engordando o burrículo pra quando virar cineasta.
Legal ontem vi a cineasta queridinha de Hitler,
Leni Riefenstahl com 100 anos e bem lúcida dando
entrevista para a Rede Globo no Jornal das 23h.
No meu curso tinha assistido vários documentários
dela e a mulher é boa no que faz e tb gostei da
resposta dela quando foi perguntada de quanto
sabia sobre o fascismo. Ela disse: "Não sei nada,
faço arte".
Tomara que o cinema me deixe assim com muita
cabeça mesmo aos 100 anos, quero ter muitas
imagens também pra guardar. Bom findi pra todos.
De tarde fui andar na Lagoa do Taquaral em Campinas, foram
2000 metros, não posso me transformar num paquiderme
que nem ao menos faz uma caminhada. Depois tomei
um suco que chama "cetim" feito de manga e abacaxi.
Agora a noite vou ao cinema com minhas amigas, talvez
"Neve pra Cachorro"adoro assistir filme bobo e dá muita
risada. O cara recebe uma herança pensa que tá rico e
aí ganha um bando de cachorros. Já pensou? E o outro
é um filme super sensível "Janela para Alma" que ainda
não fui assistir. Vou checar os horários e escolher.
Amanhã vou pra Sampa, a odisséia das viagens semanais
recomeça. Higienópolis que me espere no cruzamento da
Martinico Prado com Aureliano Coutinho, meu curso de
Documentário vai para o módulo II e agora tem prática.
Hoje também chegou um diploma pelo correio do curso
de Produção pra Cinema que fiz na Zangá Filmes.
Estou engordando o burrículo pra quando virar cineasta.
Legal ontem vi a cineasta queridinha de Hitler,
Leni Riefenstahl com 100 anos e bem lúcida dando
entrevista para a Rede Globo no Jornal das 23h.
No meu curso tinha assistido vários documentários
dela e a mulher é boa no que faz e tb gostei da
resposta dela quando foi perguntada de quanto
sabia sobre o fascismo. Ela disse: "Não sei nada,
faço arte".
Tomara que o cinema me deixe assim com muita
cabeça mesmo aos 100 anos, quero ter muitas
imagens também pra guardar. Bom findi pra todos.
quinta-feira, agosto 22, 2002
CORPO
foto roubada de um diário erótico
Achei linda essa foto, se um dia posasse pelada acho que ia
ficar bem parecido. Gostei do jogo de luz. Agora a noite comi
pizza de mussarela com catupiry e um copo de coca-cola.
A sobremesa - uma trufa de morango que é simplesmente divina.
Não posso comer tanto se não vou perder minha silueta.
Preciso achar um gloss cor da boca, não quero usar batom.
Sabia que adoro perfume, mas cheiro de pele também é tão bom.
Agora não vale ter sonho erótico com a mulher da fotografia, né!
foto roubada de um diário erótico
Achei linda essa foto, se um dia posasse pelada acho que ia
ficar bem parecido. Gostei do jogo de luz. Agora a noite comi
pizza de mussarela com catupiry e um copo de coca-cola.
A sobremesa - uma trufa de morango que é simplesmente divina.
Não posso comer tanto se não vou perder minha silueta.
Preciso achar um gloss cor da boca, não quero usar batom.
Sabia que adoro perfume, mas cheiro de pele também é tão bom.
Agora não vale ter sonho erótico com a mulher da fotografia, né!
quarta-feira, agosto 21, 2002
FORMAS DE AMAR
foto de Maneco Novaes "in memorian"
neu eu ti amo vissi
*** a foto foi tirada no ricifi antigu e segundo ele me informou
a declaração era pra uma putinha de nome neuza, putas tb amam.
não sei se era alguma analogia, mas é que eu adorava brincar de
putinha ou fadinha.
Ando cheia de nostalgia mexendo em antigas fotografias.
Talvez só agora tenha me dado conta de tudo que vivi.
Da alegria que tive quando recebi uma foto de uma porta
velha com poemas e uma declaração de amor. Estou
ouvindo "kiss of life" da Sade é tão essencialmente rouca
e romântica a voz dela.
Sei lá, fico pensando em que amei, quem me amou e se
ainda amo. Não me peça falsas declarações. Me deixe olhar
por um momento teus olhos e me faça feliz apenas uma noite
de lua. Não me pergunte onde estou e o que vai acontecer no
dia seguinte. Não me cobre nada, vivo de instabilidades.
Nenhum sentimento é palpável. Apenas sinta meu corpo e me
faça soluçar de prazer. E me ame só um pouquinho, como um
conta-gotas. Eu não sei o que sinto. E nem por quem.
Me perdoa, sou assim essa "coisa ansiosa e insegura" nas
palavras do grande Antonio Maria. "Mas me faça esquecer
depressa os homens ruins aqueles que comem cebolas cruas"
mais um roubo de frase. Não sei o que te dizer. Talvez? Até amanhã.
Até um dia. Até nunca mais.
Só sei que é tão sonoro ouvir " neu eu ti amo vissi". E digo - o que
tenho de mais precioso não é o que o dinheiro pode comprar. São
minhas lembranças, são minhas fotografias, são minhas formas de amar.
foto de Maneco Novaes "in memorian"
neu eu ti amo vissi
*** a foto foi tirada no ricifi antigu e segundo ele me informou
a declaração era pra uma putinha de nome neuza, putas tb amam.
não sei se era alguma analogia, mas é que eu adorava brincar de
putinha ou fadinha.
Ando cheia de nostalgia mexendo em antigas fotografias.
Talvez só agora tenha me dado conta de tudo que vivi.
Da alegria que tive quando recebi uma foto de uma porta
velha com poemas e uma declaração de amor. Estou
ouvindo "kiss of life" da Sade é tão essencialmente rouca
e romântica a voz dela.
Sei lá, fico pensando em que amei, quem me amou e se
ainda amo. Não me peça falsas declarações. Me deixe olhar
por um momento teus olhos e me faça feliz apenas uma noite
de lua. Não me pergunte onde estou e o que vai acontecer no
dia seguinte. Não me cobre nada, vivo de instabilidades.
Nenhum sentimento é palpável. Apenas sinta meu corpo e me
faça soluçar de prazer. E me ame só um pouquinho, como um
conta-gotas. Eu não sei o que sinto. E nem por quem.
Me perdoa, sou assim essa "coisa ansiosa e insegura" nas
palavras do grande Antonio Maria. "Mas me faça esquecer
depressa os homens ruins aqueles que comem cebolas cruas"
mais um roubo de frase. Não sei o que te dizer. Talvez? Até amanhã.
Até um dia. Até nunca mais.
Só sei que é tão sonoro ouvir " neu eu ti amo vissi". E digo - o que
tenho de mais precioso não é o que o dinheiro pode comprar. São
minhas lembranças, são minhas fotografias, são minhas formas de amar.
MULHER DE FASES
desfile de roupas de ginástica
Dá licença, estou na fase bailarina...
Eu era modelo, manequim e manicure...
Essa foto foi tirada num desfile de roupas de ginástica,
a gente entrava dançando, meu cabelo tá pulando...
Gostei tanto dessa roupa azul que desfilei que
fiquei com ela, ganhei em troca do cachê do desfile.
Eu era bem magrela, da perna comprida, típico
corpinho de bailarina. E cadê meu peitos? Nessa
época não existia sutian mega super inflável... risos
Será que uma hora entro na fase escritora de novo...
desfile de roupas de ginástica
Dá licença, estou na fase bailarina...
Eu era modelo, manequim e manicure...
Essa foto foi tirada num desfile de roupas de ginástica,
a gente entrava dançando, meu cabelo tá pulando...
Gostei tanto dessa roupa azul que desfilei que
fiquei com ela, ganhei em troca do cachê do desfile.
Eu era bem magrela, da perna comprida, típico
corpinho de bailarina. E cadê meu peitos? Nessa
época não existia sutian mega super inflável... risos
Será que uma hora entro na fase escritora de novo...
terça-feira, agosto 20, 2002
GOSTOSA
"Ai, quem me dera ser doutor, formado em Salvador
Ter um diploma, anel e voz de bacharel
Fazer em teu louvor discursos a granel
Pra te dizer gentil
Bem-vinda, tu és a dama mais formosa
E, ouso dizer, a mais gostosa aqui deste covil"
Tango do Covil - Chico Buarque
PS. veio no zine 700km hoje.
"Ai, quem me dera ser doutor, formado em Salvador
Ter um diploma, anel e voz de bacharel
Fazer em teu louvor discursos a granel
Pra te dizer gentil
Bem-vinda, tu és a dama mais formosa
E, ouso dizer, a mais gostosa aqui deste covil"
Tango do Covil - Chico Buarque
PS. veio no zine 700km hoje.
domingo, agosto 18, 2002
BAILARINA
foto de Gal Silvestre
*** minha tia fazia um curso de fotografia e eu era sua modelo no sol ou na chuva, daí a testa franzida, essa foto foi antes de um espetáculo.
TODA VEZ
[by Rosi Luna]
Toda vez que dançava tirava uma foto.
Meu último palco, meu compasso.
Toda vez que amei guardava uma imagem.
Meu último amor, meu vapor.
Toda vez que beijei senti tua saliva.
Meu último gole, meu licor.
Toda vez que senti tua falta ouvia uma melodia.
Meu último som, minha luz neon.
Toda vez que dançava virava bailarina.
Meu último brilho, minha sapatilha.
foto de Gal Silvestre
*** minha tia fazia um curso de fotografia e eu era sua modelo no sol ou na chuva, daí a testa franzida, essa foto foi antes de um espetáculo.
TODA VEZ
[by Rosi Luna]
Toda vez que dançava tirava uma foto.
Meu último palco, meu compasso.
Toda vez que amei guardava uma imagem.
Meu último amor, meu vapor.
Toda vez que beijei senti tua saliva.
Meu último gole, meu licor.
Toda vez que senti tua falta ouvia uma melodia.
Meu último som, minha luz neon.
Toda vez que dançava virava bailarina.
Meu último brilho, minha sapatilha.
sábado, agosto 17, 2002
FODA-SE EU VOU AO FONDUE
- Tem os dois pecados que gosto:
o da gula e o da carne.
Então hoje de noite vou cometer o da gula.
- Fondue de queijo e de chocolate
na casa de amigos, vou beber vinho.
- Será que vai ter uma lua de cristal?
PS. esse foda-se foi só pra rimar com fondue
nada pessoal, mas se tiver vontade f....
- Tem os dois pecados que gosto:
o da gula e o da carne.
Então hoje de noite vou cometer o da gula.
- Fondue de queijo e de chocolate
na casa de amigos, vou beber vinho.
- Será que vai ter uma lua de cristal?
PS. esse foda-se foi só pra rimar com fondue
nada pessoal, mas se tiver vontade f....
A BUNDA DE DRUMÃO
Drummond foi fazer poesia no céu num dia como hoje.
É aniversário de morte dele... mas nada de tristeza
vamos balançar a bunda...
A bunda que engraçada
[Carlos Drummond de Andrade]
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
Drummond foi fazer poesia no céu num dia como hoje.
É aniversário de morte dele... mas nada de tristeza
vamos balançar a bunda...
A bunda que engraçada
[Carlos Drummond de Andrade]
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
sexta-feira, agosto 16, 2002
ABUNDÁNCIA
foto da capa do vídeo (a bunda é da Liz , ela tinha
essa calça rasgada e balançava o planeta qdo usava)
*** Nos anos 90 fiz um vídeo e ele ganhou um concurso universitário, não consigo esquecer a cara de dois estudantes da USP de Cinema me convencendo que o prêmio ia ser pra eles, porque eles eram os melhores. Fui a única de São Paulo e eles tinham levado torcida e tudo. O meu filme era uma comédia surrealista sobre Bundas. Segui toda a métrica de roteiro, obedeci todas regras de minutagem e o resuitado foi uma abundância de coisas boas. Até hoje sempre topo com alguém que me ajudou a realizar meu primeiro curta. Então curta esse bate-papo telefônico de ontem...
- Alô quero falar com a Rosi Luna?
- Diz aí. É ela.
- Nem imagina quem está falando.
- Realmente não lembro nem o que comi ontem.
- É o bundomaníaco, ator do seu filme.
- Não brinca, Ricardo.
- Como conseguiu meu telefone?
- Tem um cara da Unicamp do Multimeios que te conhece.
- Menino, puxa faz uns 10 anos isso.
- Então, estou ligando porque quero uma cópia do filme. Sabe
o Dundun teu colega jornalista ficou sério. Ele não quis me dá uma
cópia da fita porque aparece a bunda dele tomando injeção.
E ele gordinho do lado do hipopótamo pegou mal, ele disse
que foi o maior mico da vida dele e tinha até pipocas azuis.
- É, eu não sabia fazer ficção mandei aplicar injeção de água
desltilada na bunda dele, o grito foi bem real.
- Cara, vamos fazer o seguinte te arrumo uma cópia e vc vai
na palestra de cinema que minha Ong está organizando.
- Bom falar contigo depois de tanto tempo.
- E no programa Jô Soares lembra "quem é aquela bunda peluda?"
Fiquei um tempão com o apelido de bunda peluda, graças ao Jô.
- Sabia que esse filme foi um Glauber Rocha na minha vida.
Eu achava que podia tudo, até ficar pelado no viaduto. Ousadia pura.
- E a Garra lembra?
- Veio nos prender, mandei eles assistirem logo acalmaram.
- Parece máquina do tempo, vou fazer outro filme. O cachê é pequeno,
topa trabalhar comigo? Depois me fala... ainda é ator?
foto da capa do vídeo (a bunda é da Liz , ela tinha
essa calça rasgada e balançava o planeta qdo usava)
*** Nos anos 90 fiz um vídeo e ele ganhou um concurso universitário, não consigo esquecer a cara de dois estudantes da USP de Cinema me convencendo que o prêmio ia ser pra eles, porque eles eram os melhores. Fui a única de São Paulo e eles tinham levado torcida e tudo. O meu filme era uma comédia surrealista sobre Bundas. Segui toda a métrica de roteiro, obedeci todas regras de minutagem e o resuitado foi uma abundância de coisas boas. Até hoje sempre topo com alguém que me ajudou a realizar meu primeiro curta. Então curta esse bate-papo telefônico de ontem...
- Alô quero falar com a Rosi Luna?
- Diz aí. É ela.
- Nem imagina quem está falando.
- Realmente não lembro nem o que comi ontem.
- É o bundomaníaco, ator do seu filme.
- Não brinca, Ricardo.
- Como conseguiu meu telefone?
- Tem um cara da Unicamp do Multimeios que te conhece.
- Menino, puxa faz uns 10 anos isso.
- Então, estou ligando porque quero uma cópia do filme. Sabe
o Dundun teu colega jornalista ficou sério. Ele não quis me dá uma
cópia da fita porque aparece a bunda dele tomando injeção.
E ele gordinho do lado do hipopótamo pegou mal, ele disse
que foi o maior mico da vida dele e tinha até pipocas azuis.
- É, eu não sabia fazer ficção mandei aplicar injeção de água
desltilada na bunda dele, o grito foi bem real.
- Cara, vamos fazer o seguinte te arrumo uma cópia e vc vai
na palestra de cinema que minha Ong está organizando.
- Bom falar contigo depois de tanto tempo.
- E no programa Jô Soares lembra "quem é aquela bunda peluda?"
Fiquei um tempão com o apelido de bunda peluda, graças ao Jô.
- Sabia que esse filme foi um Glauber Rocha na minha vida.
Eu achava que podia tudo, até ficar pelado no viaduto. Ousadia pura.
- E a Garra lembra?
- Veio nos prender, mandei eles assistirem logo acalmaram.
- Parece máquina do tempo, vou fazer outro filme. O cachê é pequeno,
topa trabalhar comigo? Depois me fala... ainda é ator?
GEOGRÁFICO
by Luna
Eu chamo. Ele vem, sim inflama. O vento acolhe, a viela é o submundo e tentáculo de nós. O fascínio em parte se afirma. O quadrado se abre, o retorno é parelelo. Tudo prisma, quase tudo transita nesse lumiar de pérolas, impura clareira e nele me envolvo, sou um polvo, sem voltas ou linhas tortas. Privilégio, lance que nos lança, mesmo perto imperfeita sedução. Então, contra-mão, se não. A nova era, a primavera, quero estar com ela.
Quem, se não?
PS. aumentei uma palavrinha no ínicio.
by Luna
Eu chamo. Ele vem, sim inflama. O vento acolhe, a viela é o submundo e tentáculo de nós. O fascínio em parte se afirma. O quadrado se abre, o retorno é parelelo. Tudo prisma, quase tudo transita nesse lumiar de pérolas, impura clareira e nele me envolvo, sou um polvo, sem voltas ou linhas tortas. Privilégio, lance que nos lança, mesmo perto imperfeita sedução. Então, contra-mão, se não. A nova era, a primavera, quero estar com ela.
Quem, se não?
PS. aumentei uma palavrinha no ínicio.
terça-feira, agosto 13, 2002
DRUMÃOS
*** isso quer dizer que foi escrito a quatro mãos
e dessa vez fui longe demais, só estou esperando
a ordem de prisão - o motivo legal: plágio poético.
foto da minha face de alface de mil novecentos e bolinha
antes de uma apresentação de ballet moderno
POEMA DE UMA FACE
[plágio não autorizado do Poema de sete faces
de Carlos Drummond de Andrade]
Quando nasci, um anjo bailarino
desses que vivem na luz
disse: Vai, Luna! ser galocha na vida.
Os apartamentos apertam os homens
que na vidraça espiam mulheres,
A tarde talvez fosse rosa,
não houvesse tantos beijos.
O metrô passa cheio de pés:
pés brancos pretos amarelos.
Pra que tanto pé, Madre de Deus, pergunta minha atração.
Porém minhas trilhas
respondem tudo.
A mulher atrás das saias
é risonha, completa e fraca.
Conversa como uma matraca.
Tem muitos, caros amigos
A mulher atrás do batom e das saias.
Minha Madre de Deus, porque me encontraste
se sabias que eu não era Madre de Deus
se sabias que eu era forte.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimunda,
seria uma obra prima, e teria um bundão
mundo mundo vasto mundo
mais vasto é meu corpão
Eu devia te dizer
mas essa Luna
mas esse champanhe
botam a gente envolvido como o diabo.
*** isso quer dizer que foi escrito a quatro mãos
e dessa vez fui longe demais, só estou esperando
a ordem de prisão - o motivo legal: plágio poético.
foto da minha face de alface de mil novecentos e bolinha
antes de uma apresentação de ballet moderno
POEMA DE UMA FACE
[plágio não autorizado do Poema de sete faces
de Carlos Drummond de Andrade]
Quando nasci, um anjo bailarino
desses que vivem na luz
disse: Vai, Luna! ser galocha na vida.
Os apartamentos apertam os homens
que na vidraça espiam mulheres,
A tarde talvez fosse rosa,
não houvesse tantos beijos.
O metrô passa cheio de pés:
pés brancos pretos amarelos.
Pra que tanto pé, Madre de Deus, pergunta minha atração.
Porém minhas trilhas
respondem tudo.
A mulher atrás das saias
é risonha, completa e fraca.
Conversa como uma matraca.
Tem muitos, caros amigos
A mulher atrás do batom e das saias.
Minha Madre de Deus, porque me encontraste
se sabias que eu não era Madre de Deus
se sabias que eu era forte.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimunda,
seria uma obra prima, e teria um bundão
mundo mundo vasto mundo
mais vasto é meu corpão
Eu devia te dizer
mas essa Luna
mas esse champanhe
botam a gente envolvido como o diabo.
domingo, agosto 11, 2002
* Liguei agora para Recife e o meu pai vai almoçar com a família. E o almoço vai ser na casa da minha Tia Conceição que mora num lugar lindo que chama Apipucos do lado casa de Gilberto Freyre. Minha mãe está confeitando o bolo de dia dos pais e eu estou aqui morrendo de saudade dele. Resolvi escrever essas palavras para que o meu Paulo, sorry Prata mas como plagiadora oficial roubei só o título, acho que não vai me levar as vias de tribunais.
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meu pai dizia que quando se aposentasse ia
criar galinhas e não é que foi mesmo, essa foto
eu fiz na granja e ele lá posando na placa
O PAULO (título plágio da crônica do Estadão/ Mario Prata de 31.07.2002)
O Paulo é meu pai. Ele não é o Paulo Coelho e muito menos entrou pra Academia Brasileira de Letras. Paulo Luna é um pacato cidadão da República das Bananas do Brasil. Consegue advinhar qual a fruta preferida dele e de todos os macacos do planeta?Banana. E viva a Chiquita Bacana lá da Martinica.
O meu Paulo saiu correndo da maternidade pra comprar tudo cor de rosa pra que eu ficasse parecendo uma bonequinha de luxo. Ele me deu um nome de flor e lua. Deixa me apresentar, sou sua filha mais velha. Nasci nos anos 60, usei mini saia e assistia a missa na igreja do Embaré e até vi o Pelé que fazia sucesso na cidade de Santos de onde vim aterrisar no mundo. O meu Paulo colocava os presentes debaixo da árvore de natal e me fêz acreditar em papai noel. Na Páscoa ele escondia os ovos e deixava pistas. Um dia fui achar meu ovo de chocolate debaixo do banco do piano. Depois de uma série de "tá frio, tá quente" consegui ver ele engenhosamente amarrado na mola do banco. Ele também me deu um piano aos sete anos de idade e eu mal sabia ler, foi difícil aprender a tocar. O espetáculo do piano entrando pela janela do prédio no primeiro andar que morávamos foi inesquecível, acredite o piano não passou na porta.
O meu Paulo sentava numa cadeira - a maior que tinha na sala e ficava esperando a fila de presentes e os beijos. Minha mãe sempre preservou esse costume da cadeira em datas comemorativas. Eu vivia sonhando em chegar meu aniversário pra ganhar presentes sentada naquilo que eu considerava um trono. O meu Paulo sempre quis ter uma família numerosa e ele conseguiu. Somos sete filhos e os netos nem dá pra contar, eles não param de nascer.
O meu Paulo sempre me deu todas as bonecas que pedi, porque eu fazia cada bilhete tão amoroso e tão cheio de de desenhos de coração que ele não conseguia resistir. Eu também era uma dançarina muito amostrada e isso conquistava qualquer pai. Eu era sua menina bailarina. O meu Paulo pagou caro para que eu fosse rainha do milho no colégio de freiras e depois virei anjo na festa do mês.Ele ficou muito orgulhoso quando fui oradora da turma na faculdade. Eu não fui a laureada, mas ser eleita por voto direto a oradora e isso deu a ele um enorme prazer. Afinal Ulysses Guimarães começou assim, sendo orador. Talvez ele soubesse o meu dom da retórica e a facilidade pra falar em microfones. Ele sabia que não daria pra ter outra profissão que não fosse jornalista. E assim me tornei a única escritora da família. Acho que ele sonha com o dia em que publicar um livro e escrever uma dedicatória pra ele. Quem sabe ainda faço isso.
O meu Paulo tem um coração enorme quase tão grande quanto a barriga dele que vivo fazendo cócegas. Ele me mata quando ler isso. O meu Paulo tem medo de altura e mesmo assim trabalhou com elevadores. Me lembro que um dia no parque de diversão e que estávamos na roda gigante e ele falava com cara de assustado "minhas pernas estão virando uma papa". Era um tanto incoerente pra quem passou a vida tendo firma de elevadores e trabalhando nas alturas. Bom, nada é perfeito, foi com muito trabalho que ele meu deu tudo - casa, escola e brinquedos. Me ensinou a honestidade e o amor ao próximo. O meu Paulo sempre foi hilário, sendo bem íntima posso falar que tem vocação pra palhaço e sempre me fêz rir. Daí acho que puxei esse talento pra escrever coisas engraçadas. Fico achando que a vida é uma comédia. O meu Paulo é baixinho e gordinho. Nem sempre escrevo elogios. Mas pra mim ele é o maior pai do mundo. Não pela a altura mas por tudo que ele representa. O meu Paulo é o Luna - a minha lua que me guia.Tenha o prazer em conhecer esse é : o Paulo.
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meu pai dizia que quando se aposentasse ia
criar galinhas e não é que foi mesmo, essa foto
eu fiz na granja e ele lá posando na placa
O PAULO (título plágio da crônica do Estadão/ Mario Prata de 31.07.2002)
O Paulo é meu pai. Ele não é o Paulo Coelho e muito menos entrou pra Academia Brasileira de Letras. Paulo Luna é um pacato cidadão da República das Bananas do Brasil. Consegue advinhar qual a fruta preferida dele e de todos os macacos do planeta?Banana. E viva a Chiquita Bacana lá da Martinica.
O meu Paulo saiu correndo da maternidade pra comprar tudo cor de rosa pra que eu ficasse parecendo uma bonequinha de luxo. Ele me deu um nome de flor e lua. Deixa me apresentar, sou sua filha mais velha. Nasci nos anos 60, usei mini saia e assistia a missa na igreja do Embaré e até vi o Pelé que fazia sucesso na cidade de Santos de onde vim aterrisar no mundo. O meu Paulo colocava os presentes debaixo da árvore de natal e me fêz acreditar em papai noel. Na Páscoa ele escondia os ovos e deixava pistas. Um dia fui achar meu ovo de chocolate debaixo do banco do piano. Depois de uma série de "tá frio, tá quente" consegui ver ele engenhosamente amarrado na mola do banco. Ele também me deu um piano aos sete anos de idade e eu mal sabia ler, foi difícil aprender a tocar. O espetáculo do piano entrando pela janela do prédio no primeiro andar que morávamos foi inesquecível, acredite o piano não passou na porta.
O meu Paulo sentava numa cadeira - a maior que tinha na sala e ficava esperando a fila de presentes e os beijos. Minha mãe sempre preservou esse costume da cadeira em datas comemorativas. Eu vivia sonhando em chegar meu aniversário pra ganhar presentes sentada naquilo que eu considerava um trono. O meu Paulo sempre quis ter uma família numerosa e ele conseguiu. Somos sete filhos e os netos nem dá pra contar, eles não param de nascer.
O meu Paulo sempre me deu todas as bonecas que pedi, porque eu fazia cada bilhete tão amoroso e tão cheio de de desenhos de coração que ele não conseguia resistir. Eu também era uma dançarina muito amostrada e isso conquistava qualquer pai. Eu era sua menina bailarina. O meu Paulo pagou caro para que eu fosse rainha do milho no colégio de freiras e depois virei anjo na festa do mês.Ele ficou muito orgulhoso quando fui oradora da turma na faculdade. Eu não fui a laureada, mas ser eleita por voto direto a oradora e isso deu a ele um enorme prazer. Afinal Ulysses Guimarães começou assim, sendo orador. Talvez ele soubesse o meu dom da retórica e a facilidade pra falar em microfones. Ele sabia que não daria pra ter outra profissão que não fosse jornalista. E assim me tornei a única escritora da família. Acho que ele sonha com o dia em que publicar um livro e escrever uma dedicatória pra ele. Quem sabe ainda faço isso.
O meu Paulo tem um coração enorme quase tão grande quanto a barriga dele que vivo fazendo cócegas. Ele me mata quando ler isso. O meu Paulo tem medo de altura e mesmo assim trabalhou com elevadores. Me lembro que um dia no parque de diversão e que estávamos na roda gigante e ele falava com cara de assustado "minhas pernas estão virando uma papa". Era um tanto incoerente pra quem passou a vida tendo firma de elevadores e trabalhando nas alturas. Bom, nada é perfeito, foi com muito trabalho que ele meu deu tudo - casa, escola e brinquedos. Me ensinou a honestidade e o amor ao próximo. O meu Paulo sempre foi hilário, sendo bem íntima posso falar que tem vocação pra palhaço e sempre me fêz rir. Daí acho que puxei esse talento pra escrever coisas engraçadas. Fico achando que a vida é uma comédia. O meu Paulo é baixinho e gordinho. Nem sempre escrevo elogios. Mas pra mim ele é o maior pai do mundo. Não pela a altura mas por tudo que ele representa. O meu Paulo é o Luna - a minha lua que me guia.Tenha o prazer em conhecer esse é : o Paulo.
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