sábado, maio 05, 2001
COM O VENDAVAL DE CAMPINAS
QUASE SAÍ VOANDO COMO MARY POPPINS
Nunca pensei em me sentir Julie Andrews e sair voando como Mary Poppins
que aliás é um personagem que adoro. Mas a sensação de estar na rua no
meio de um vendaval e presenciar até uma árvore caindo, me deu bons
motivos para acreditar que ontem quase sai voando.
Tinha acabado de lavar o carro no posto de gasolina, e estava indo
para um distristo que chama Souzas e foi quando tudo ficou negro e
o vento foi tão forte que o vidro elétrico do meu carro emperrou e
só fechava pela metade. Tomei um banho de chuva dentro do próprio
carro, a chuva torrencial atingiu alguma coisa e o carro se esgagou
todo e tive que parar em um bairro de casas chiques que chama Jardim das
Paineiras.
Nenhuma pessoa na rua para que eu pudesse pedir ajuda, e pra
variar havia esquecido o celular em casa, nunca desejei tanto tê-lo por perto.
Fiquei ali morta de medo e de frio e caindo aqueles raios todos, e soltei
o freio do carro para que ele deslizasse pelas corredeiras. Consegui
chegar numa guarita e o guarda me aconselhou a não sair do lugar,
o carro fazia um barulho terrível.
Depois de muito tempo, tentei pegar o carro no tranco, consegui dar partida
ainda chovendo e segui como um pinto molhado rumo a Souzas, precisava
pegar meu filhote na casa de um amiguinho, e por lá a coisa estava bem pior.
Vi uma árvore que causou um congestionamento kilométrico caindo e agradeci
aos céus por não ter passado ali dois minutos antes, e não estaria aqui pra
contar essa história.
As luzes de Campinas se apagaram e voltamos com tudo
escuro e os ventos continuavam fortes, chegamos em casa depois
de uma hora e meia de trânsito parado, numa noite que lembravava noite
de terror 2. Faltou luz até 23h da noite, quando liguei o micro
não fiquei nem 10 minutos e nova falta de energia, me resignei a viver
no mundo das cavernas.
E foi quando aconteceu o pior depois de um dia como esse, me queimei
com a parafina da vela. Só tinha uma vela que alguém me deu dessas
brancas e grossas (acho que de pagar promessa) e ali em cima foi que
juntou o líquido que queimou minhas mãos. Não foi nada grave, só dei
aquele grito de pavor e deixei tudo no escuro novamente. Fui inclinar a
vela para acender outra que a vizinha tinha me dado e escorreu parafina
fervendo por toda mão. Minha mão ficou ardendo um pouco na
hora, mas já passou.
E pude sentir uma saudade louca da energia elétrica, comi
pão gelado, sem portão eletrônico, subi quatro andares de escada,
quase voei como Mary Poppins, que dia ehhhhhhhh!!!!
Decidamente apaguei o dia de ontem da memória, não quero mais
encontrar esse talzinho de Sr. Vendaval.
PS. agora final da tarde vou em um aniversário e pra noite peguei
algumas fitas de vídeo, depois coloco aqui minha opinião sobre os filmes.
Bom findi pra todos.
quarta-feira, maio 02, 2001
ENAP IN RIO
O Enap in Rio foi realizado na última segunda-feira, e estavam
presentes Marina W, Lilica, Zeca e Leozinho que chegou a tempo de
tomar um cafézinho.
Ma e Lili quase derrubaram a língua de tanto fofocar no almoço que
foi realizado no resturante La Mole de Botafogo. Não have photos,
pois ninguém levou máquina.
O Zeca é uma graça e o mais inusitado, é que vi ele pela primeira vez
e tive a impressão que já conhecia ele a uns dez anos no minimo.
Ele disse que pelo recado enorme que deixei na secretária do celular
ele tinha certeza que era eu, mesmo sem nunca ter ouvido minha voz.
E me falou que sou igualzinha como escrevo, isso quer dizer uma
matraca... risos.
Ganhei uma Bíblia da Marina que amei... trata-se do Manual de
Redação do Estadão que vai ser muito útil mesmo, tinha o do JB
e do Globo e só faltava esse, agora está aqui. Olha como o mundo
é redondo, a Ma me deu um outro livrinho bárbaro que eu tinha
lido uma matéria, tanto que comentei que sabia que ela era
uma escritora loira e sobre a história de amor de um casal
que se conheceu pela internet. Lindo demais... chama-se
eu@teamo.com.br.... já li, pois adoro happy end.
Dei duas lambancinhas pra ela tb. uma mini sapatilha de ballet
vermelha que é um chaveirinho e um esmalte de unha na cor prata.
Para os homis não dei nada... só dei prejuízo para Zeca que quis
pagar a parte maior da conta, né meninu do Rio... risos
beijos
lilica
PS. sem PS que estou morta de preguiça de escrever.
O Enap in Rio foi realizado na última segunda-feira, e estavam
presentes Marina W, Lilica, Zeca e Leozinho que chegou a tempo de
tomar um cafézinho.
Ma e Lili quase derrubaram a língua de tanto fofocar no almoço que
foi realizado no resturante La Mole de Botafogo. Não have photos,
pois ninguém levou máquina.
O Zeca é uma graça e o mais inusitado, é que vi ele pela primeira vez
e tive a impressão que já conhecia ele a uns dez anos no minimo.
Ele disse que pelo recado enorme que deixei na secretária do celular
ele tinha certeza que era eu, mesmo sem nunca ter ouvido minha voz.
E me falou que sou igualzinha como escrevo, isso quer dizer uma
matraca... risos.
Ganhei uma Bíblia da Marina que amei... trata-se do Manual de
Redação do Estadão que vai ser muito útil mesmo, tinha o do JB
e do Globo e só faltava esse, agora está aqui. Olha como o mundo
é redondo, a Ma me deu um outro livrinho bárbaro que eu tinha
lido uma matéria, tanto que comentei que sabia que ela era
uma escritora loira e sobre a história de amor de um casal
que se conheceu pela internet. Lindo demais... chama-se
eu@teamo.com.br.... já li, pois adoro happy end.
Dei duas lambancinhas pra ela tb. uma mini sapatilha de ballet
vermelha que é um chaveirinho e um esmalte de unha na cor prata.
Para os homis não dei nada... só dei prejuízo para Zeca que quis
pagar a parte maior da conta, né meninu do Rio... risos
beijos
lilica
PS. sem PS que estou morta de preguiça de escrever.
DIRETO DO LIVRO
eu@teamo.com.br
O amor nos tempos da internet
[de leticia wierzchowski e marcelo pires]
De: Marcelo Pires
Para: Leticia
Data: Quinta-feira, 17 de Dezembro de 1998 16:28
Assunto: ternura
Leticia, você não tem idéia de como gostei
do seu e-mail. Tinha uma ternura ali que não dá nem pra
contar. Eu tva com medo de até parecer vulgar com o meu
excesso de convites - mas sempre decidi por convidar,
já que a vontade de que o convite se efetivasse era maior
do que o receio de parecer leviano.
Fique certa que não saio propondo viagens para qualquer
escritora, ou qualquer mulher, que cruze na minha frente.
Inclusive, você não cruzou na minha frente: estamos a
1.100 km de distância. Mas é que sei lá, mil coisas. De
qualquer maneira estou felicíssimo por termos um Natal
próximo e um plano maluco de viagem para janeiro.
Vamos tratar disso com cuidado e, prometo, com
delicadeza - vou parar de fazer convite por e-mail.
Hoje, cheguei na W/ às duas da tarde. Ressaca colossal.
Melhorei agora: 4 da tarde. A festa tava boa, o show do
Kid Abelha ótimo e a champanha farta. Saí de lá às 4 da
madrugada. HEBERT NÃO PINTOU. Tudo bem. Dancei
feito um louco. Na verdade, não parei de dançar. Levei
um papo excelente com George Israel do Kid - o cara
é joíssimo. Por enquanto é isso. Adorei mesmo seu
e-mail. Tem uma franqueza ali que me conquista.
Beijos, Leticia. Vou retornar ao trabalho. Boa tarde.
Marcelo.
PS. é do livro que a Marina W me deu no Enap Rio...
ele fala em mil coisas e me lembrei dela... depois
coloco mais trechos aqui.
eu@teamo.com.br
O amor nos tempos da internet
[de leticia wierzchowski e marcelo pires]
De: Marcelo Pires
Para: Leticia
Data: Quinta-feira, 17 de Dezembro de 1998 16:28
Assunto: ternura
Leticia, você não tem idéia de como gostei
do seu e-mail. Tinha uma ternura ali que não dá nem pra
contar. Eu tva com medo de até parecer vulgar com o meu
excesso de convites - mas sempre decidi por convidar,
já que a vontade de que o convite se efetivasse era maior
do que o receio de parecer leviano.
Fique certa que não saio propondo viagens para qualquer
escritora, ou qualquer mulher, que cruze na minha frente.
Inclusive, você não cruzou na minha frente: estamos a
1.100 km de distância. Mas é que sei lá, mil coisas. De
qualquer maneira estou felicíssimo por termos um Natal
próximo e um plano maluco de viagem para janeiro.
Vamos tratar disso com cuidado e, prometo, com
delicadeza - vou parar de fazer convite por e-mail.
Hoje, cheguei na W/ às duas da tarde. Ressaca colossal.
Melhorei agora: 4 da tarde. A festa tava boa, o show do
Kid Abelha ótimo e a champanha farta. Saí de lá às 4 da
madrugada. HEBERT NÃO PINTOU. Tudo bem. Dancei
feito um louco. Na verdade, não parei de dançar. Levei
um papo excelente com George Israel do Kid - o cara
é joíssimo. Por enquanto é isso. Adorei mesmo seu
e-mail. Tem uma franqueza ali que me conquista.
Beijos, Leticia. Vou retornar ao trabalho. Boa tarde.
Marcelo.
PS. é do livro que a Marina W me deu no Enap Rio...
ele fala em mil coisas e me lembrei dela... depois
coloco mais trechos aqui.
POESIA DE CHAT ROUBADA
POETO 00:29:00
reservadamente fala com lilica
um instrumento que se afina / uma menina / uma jóia fina / uma menina / um pássaro que trina / uma menina / um rosto que fascina / uma menina / uma brincadeira na esquina / uma menina / uma alma bonitinha / uma menina / uma luz que se descortina / uma menina
PS. não sei quem é o Poeto, é um poeta homi com certeza, mas que amei a menina e a rima
amei amei amei® espero que ele não fique bravo por colocar aqui, mas é que é tão lindo!
POETO 00:29:00
reservadamente fala com lilica
um instrumento que se afina / uma menina / uma jóia fina / uma menina / um pássaro que trina / uma menina / um rosto que fascina / uma menina / uma brincadeira na esquina / uma menina / uma alma bonitinha / uma menina / uma luz que se descortina / uma menina
PS. não sei quem é o Poeto, é um poeta homi com certeza, mas que amei a menina e a rima
amei amei amei® espero que ele não fique bravo por colocar aqui, mas é que é tão lindo!
quarta-feira, abril 25, 2001

Rosi de Glub Glub e Sérgio de Dragão
Olha, a gente não é bem um casal...
O MUNDO DE CARAS
A Marina W é um anjo do Grupo do Mario Prata do qual
faço parte, ela foi convidada para uma festa chiquérrima no Rio, com
direito a ganhar máquina fotográfica e ser recebida pelo Presidente da
Coca-Cola. Foi a festa do século e imaginem só a estirpe dos convidados,
Malú Mader, Hebe, Rodrigo Santoro, Patrícia Pilar e todas as figurinhas
carimbadas da sociedade, embaladas ao som de Caetano Veloso e Rita Lee.
Essa festa aconteceu no mesmo fim de semana em que fui na festa à
fantasia e como adoro fazer uma paródia, escrevi meu relato, pegando
algumas palavrinhas emprestadas da Marina.
Tenho certeza que a Marina W, mesmo agora sendo uma colunável e
blogonável (tem um bloWg "chique no úrtimo" que tem até logotipo)
não vai se incomodar com a minha brincadeira.
Estou enviando uma pisc*® para minha amiga do Rio.
Ass. Rosi Luna
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PS. amigos Anjos de Prata fiz essa breve apreciação, pois meus
amigos da festa não iriam entender a brincadeira da paródia.
O MUNDO QUE NÃO SAIU EM CARAS
MAS BEM QUE MERECIA...
A Coca-Cola não convidou nenhum casal para essa festa de uns amigos,
que estavam comemorando com muita coca-cola e cerveja, o aniversário
de 40 anos deles. O convite era uma graça, chegou com tanta
antecedência, que até já tinha me esquecido. Detalhe, era uma festa
para ir com fantasia de desenho animado. Na entrada da festa não
recebemos nenhuma máquina fotográfica, mas cada um levou sua câmera
e deu para registrar os melhores momentos da festa.
A própria Helena vestida de Jeannie é um Gênio e o Túlio vestido de
Space Ghost recebia um a um os convidados. A sobremesa foi um bolo de
chocolate com 3 pares de velas, duas com o numeral 40 (da Helena e do
Túlio) e uma de 31 que era da Lu que era a Mulher Gato, que também
estava comemorando seu niver.(e Deus me perdoe por ser tão fofoqueira,
mas soube em off que ela foi eleita a bunda mais linda da festa, que ficou
em destaque na fantasia de napa justa) O único problema da pobre Lu,
foi o que ouvi da sua própria boca, que a coitada estava virando os
olhinhos de vontade de ir no banheiro e não podia tirar a fantasia,
pois a mulher que idealizou o modelito não lembrou que as pessoas
precisam ir ao toillete (será que é com dois L ? não queria repetir a
palavra banheiro) e não tinha nenhum zíper e estava tão apertado,
que perigava não entrar mais. Cheguei a presenciar ela comentando que a
qualquer momento ia liberar um xixi perna a baixo e que ia cair tudo dentro da bota.
Acredito que ela deve ter liberado uns 3 litros quando chegou
em casa, pois até a hora que fui embora, tudo estava sob controle,
ela estava roxinha, mas com máscara no rosto, nem dava pra perceber.
A COMIDA
Sempre me dou bem em festas desse tipo, porque a comida não era fresca.
Milhões de pães de metro em sistema self-service. Comi um sanduiche
com tomates secos, simplesmente uma iguaria, tinha os mais variados
sabores e sobrou sanduiche que daria para fazer outra festa.
A Helena exagerou na quantidade, fomos super bem servidos. Tudo muito
organizado, a casa nova dela recém construida é linda e até o lixo
tinha plaquinhas para só colocar latinhas e o outro para lixo orgânico,
tudo ecologicamente correto. O Raul que é o DJ e responsável pela
discoteca, colocou aquela bola prateada que gira, luzes e ficou
simplesmente bárbaro, uma boate digna de qualquer figura de desenho
animado sair bailando a noite toda.
OS CASAIS
Ah! os casais... Essa parte foi a melhor (hohoho), totalmente Caras,
pena que não tinha ninguém da revista lá.
Vejamos: 3 Freds Flintstones, 1 peixe Glub Glub ou Cléo (eu), 1 Dragão
da Cinderela (Serginho), 1 Cinderela (Aninha), 1 Maga Patalógica (Bernadete),
1 Irmão Metralha (Paulo), 1 Mulher Gato (Lu), 1 Rei (Raul), 1 Madrasta da
Branca de Neve (Marise), 1 Pocahontas (Andréa), Batgirl (Paty), 1 Bruxa (Solange),
1 Dick Vigarista (Renato), 1 Penélope Charmosa (Stella), 1 Yogi (Assano),
2 Popayes (o Krüger e a Lara) e o namorado dela foi de Olívia (PV),
1 Vilma (Renatinha) que acompanhava seu marido Fred Flintstones (Paulo),
1 Minnie (Patrícia), 1 Mickey (Rogério) e finalmente os donos da festa,
1 Jeannie (Helena) e 1 Space Ghost (Túlio) tinha várias princesas, um
presidiário (que dançou a noite toda segurando uma bola de isopor preta na mão),
1 garota com fantasia de carta de baralho de Alice no País das Maravilhas,
Princípes, Onças, Árabes, Emília e tinha muitas fantasias que não deu
pra gravar o nome. Foi super hilário apreciar aquele desfile de tipos
engraçados chegando. O PV que é homem, vestido de Olívia e a namorada
Lara de Popaye, podiam dividir o troféu originalidade com a Stella
(de baby na barriga) e o Renato vestidos de Pénelope e Dick Vigarista,
construiram até o carrinho da Pénelope de espuma, arrasaram!
TRECHO DO E-MAIL DO TÚLIO DE HOJE
Bernadete e outros....
Sua descrição está ótima......mas como você deixou uns
buracos na descrição dos personagens vou tentar preenchê-los:
- A minha fantasia é a do Space Ghost, um herói do espaço que tinha
um casal de gêmeos adolescentes e um macaquinho que o ajudavam nas
aventuras...
- O árabes eram o Paulinho primo da Helena e um amigo dele que
eram 2 dos quarenta ladrões do Ali Babá, os outros ficaram em São
João da Boa Vista, ainda bem.....
- O Paulo Violeiro com a fantasia de um dos participantes do Resgate
Internacional, aliás uma das melhores da festa para quem viu e se
lembra das naves, numero 1, numero 2, numero 3, numero 4 etc... do
gênio, os bonequinhos eram muito legais.
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PS. tenho que fazer um adendo para a minha chegada.
A CHEGADA
Já era 9 horas da noite e estava procurando filme na Direct TV
pra assistir, não ia a festa por 3 motivos, o Eduardo meu marido
tinha chegado de viagem de trabalho às 4 da manhã e estava super
gripado e o terceiro e último motivo, ele odeia festa à fantasia.
Foi quando trimmm toca o o telefone, era o Serginho perguntando se
não tinha uma fantasia pra emprestar e falando que estava sozinho,
pois a mulher dele a Andréa estava em Belo Horizonte. Ele me convidou
pra ir e pedi 10 minutos pra ver se achava alguma coisa que pudesse
improvisar uma fantasia. Achei dois chapéus do Filipe, lá em cima no
armário embutido e liguei confirmando que iria com ele.Tive exatamente
30 minutos para me arrumar, ainda fui costurar as alças da minha blusa
que não é nova, tem no mínimo 4 anos, mas que agora está na moda,
chama-se fuxico, um monte de retalhinhos que fazem uma espécie de
trouxinha e que fica super colorido, acho essa blusa minha cara.
Foi um sucesso com a mulherada que me perguntava onde havia
comprado tal prenda. Eu dizia "it´s impossibile" comprar aqui,
minha blusa é "made in Recife".
Quando o Sérgio chegou ainda estava na minha vizinha que sempre acaba
quebrando todos os meus galhos, costurando as alças da blusa e quando
desci para o hall do prédio, dei o chapéu de dragão pra ele. O Sérgio
veio vestido com uma camisa amarela que ele tirou do tanque, do meio
das roupas sujas. Mandei ele tirar que era para ele ir combinando,
era a única camisa amarela que ele tinha. E ainda falei, ninguém vai
te cheirar mesmo, fica tranquilo, o importante é o visual.
Enfim seguimos para a festa que era no Condôminio Alphaville Campinas
e ao chegar na portaria o homem pega uma lista.
E o Serginho me sai com esta.
- Olha, a gente não é bem um casal...
Estatalei de rir, porque como explicar para o porteiro, que gente
constava na lista acompanhado com outros nomes. Eu e o Eduardo e
ele e a Andréa. Falei não tenta explicar nada. E imagina a cara do
homem olhando pra gente, eu com um peixe na cabeça e ele com um
dragão. Fiquei rindo uma meia hora. Ainda brinquei com o Sérgio,
falando que dava pra gente justificar assim, é que estamos numa
troca de casais, sabe um swing básico. Ou ainda podia falar ele
é gay e eu sou lésbica... se a gente não era bem um casal, tudo
seria possível.
E só pra constar, o porteiro não tinha lista com nomes de casal
nenhum, a prancheta era só pra anotar os nomes de quem chegasse.
Depois é que soubemos do mero detalhe.
Tenho que admitir foi uma excelente escolha ter ido na festa, me
diverti e dançamos tanto, que quase entrei em coma de cansaço no
dia seguinte. Amei fazer parelha com o Serginho que é super animado.
Ninguém pense bobagens, que meu par era super respeitador, apesar
da gente "não ser bem um casal" foi muito alegre a nossa noite.
E quando voltamos ainda falei.
- Que bom que você me ligou, quase ia perdendo uma boa oportunidade
de dançar e de curtir os amigos que já conheço a no mínimo uns 10 anos.
Uma turma super animada, que vale a pena conviver.
TRECHO DO E-MAIL DA BERNADETE
"Outro casal, que não era casal e se divertiu bastante, desde a
entrada no condomínio; ao se identificarem foram dizendo:"não é bem um
casal"! 'o que será que esses caras peixe Rosi Luna Cléo e o jacaré
Serginho querem dizer?!' devem ter pensado os caras da portaria.
E eles nem tinham visto ainda Popeye Lara e Olivia PV."
-------------------------------------------------------------------------------------
PS. e aqui fica a triste constatação que o Dragão do Serginho estava
com cara de Jacaré... tudo bem, a bocarra com aqueles dentes afiados
parece mesmo e Cléo pra quem não se lembra é um peixe da Disney
que tinha um gatinho na historinha que chamava Fígaro.
O SHOW
O dragão Serginho e o peixe Glub Glub ou Cléo (eu) fizemos a
inauguração do salão de dança com música da cantora Marina Lima.
Mas show mesmo a gente deu, quando tocou "Olindaaaaa mil e uma noites
de amor com vc, na praia, no barco, no farol... Olindaaaaaaa"
Pulamos tanto e a galera chegou em peso no salão.
Afinal um peixe Glub Glub, sabe como conseguir chamar um
mar de gente rápidinho e chegaram tantos personagens pra balançar
o esqueleto, que a gente até podia fazer um filme.
Quando tocou música lenta paguei o maior mico, fazia tanto tempo
que não dançava que demorei pra sincronizar com ele. O Sérgio muito
paciente me falava, fica tranquila Rosi que uma hora a gente acerta.
O melhor da festa foi dançar, dançar e dançar. Acredito que a vida
pode ser maravilhosa, como diz Ivan Lins, se a gente colocar um
pouco e poesia e dança no nosso dia-a-dia.
PLUGADOS NO MUNDO
O Krüger vestido de Popaye, ligou um laptop, com uma câmera acoplada
e pudemos mostrar um pouco da festa pelo computador para 3 amigos
que estavam em 3 lugares diferentes. O Mendonça (Canadá)
o Ricardo (em São José - já ouviram falar de um tal de Vale do Silício,
que e cheio de homens solitários, atenção meninas solteiras, fiquem
de olho nesse lugar) e o Osvaldo (Chicago e que já é meu leitor e adorou
a aquele meu relato da visita na dermatologista). Se os lugares não
forem esses não faz mal, imaginem que eles estão do outro lado do
planeta e muito longe principalmente do calor dos amigos brasileiros.
Foi um chat plugado com o mundo, os 3 simultâneamente, e eles podiam
nos ver e ouvir. Coisas da tal tecnologia de ponta que eles trabalham e
adoram, e eu fico só com a ponta, pois não consigo entender muito desse
mundo cibernético.
Meu negócio é ser jornalista, ou melhor ser uma contadora de histórias,
e como invento... era pra escrever poucas linhas, olha só o tamanho
dessa singela mensagem, acho que só eu, a autora, vai ler na íntegra.
Botei meu peixe Glub Glub pra nadar em frente a câmera no dia do niver
da Helena e agora eles devem dar uma espiada no meu blog para conferir
as notícias da festa que não saiu na revista Caras, mas bem que merecia.
"Entrou por uma perna de pinto e saiu por uma perna de pato, quem quiser
que invente quatro" ditado que vovó falava no fim das histórinhas infantis.
THE END
-------------------------------------------------------------------------------------------------
PS final eu juro. se algum curioso quiser ler a mensagem original da Marina
do Mundo de Caras é só clicar nessa coluna branca em Give me Light que
vai parar no blog de uma amiga minha a Flávia Cintra, chegando lá é só
rolar as mensagens até encontrar no dia 21.04.01 postado à 1:49h.
sábado, abril 21, 2001
POESIA E QUADRO DE LUA
[Tirei a foto do quadro]
Starry Night - Vicent van Gogh
LUA ADVERSA
[Cecília Meireles]
TENHO FASES, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
------------------------------------------------------------
PS. lua lua lua love love love luna luna luna.
[Tirei a foto do quadro]
Starry Night - Vicent van Gogh
LUA ADVERSA
[Cecília Meireles]
TENHO FASES, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
------------------------------------------------------------
PS. lua lua lua love love love luna luna luna.
sexta-feira, abril 20, 2001
MATÉRIA DE CAPA
Acho ninguém gosta de confessar, mas uma das minhas grandes
frustrações, foi não ter conseguido entrar na Oficina de Roteiristas
da Rede Globo. Tinha chegado de viagem e na pressa pra entregar
alguma coisa, pois soube do Concurso nas vésperas de acabar o prazo.
Escrevi uma sinopse ao meu ver o mais perfeita que pude imaginar.
Mas não tinha diálogos e nem as marcações de cena. Meu trabalho
nem chegou a ser lido, foi para o lixo direto. Fiquei sabendo
quando fiz essa entrevista com o professor. Chorei muito e uma
amiga falava pra me conformar, vai ter outras, tenha calma.
E eu totalmente arrasada ainda falava.
- Eu vou estar lá no primeiro dia dessa Oficina, custe o custar.
Foi quando tive a brilhante idéia de sugerir a pauta para o Jornal.
Pela primeira vez fui pra São Paulo no carro do Jornal com direito a
fotógrafo e motorista. O professor não gostava de jornalistas e foi
interessante, pois ele disse que se falasse amarelo um jornalista
sempre iria escrever laranja, eles sempre distorciam as palavras.
Gravei toda entrevista e ele me mandou um e-mail elogiando
que tinha conseguido escrever na cor certa.
E foi assim que estive na Oficina de Roteiristas não como
aluna que era o ideal, mas estive como jornalista. O Flávio
me deu um castigo e disse que só ia poder me dar entrevista
depois da aula. Quem me dera encontrar vários castigos
assim pela vida, amei estar lá e fiquei dois dias, depois
disso tive que terminar a matéria pois ele não permitiu
mais minha presença. Pelo menos senti o gostinho.
Leiam e me digam se como "maluca beleza" um dia ainda
não vou ter minha chance. Aposto que sim, não desisti e
vou morrer como soldado - perdendo mas lutando.
As minhas histórias ainda vão virar roteiro, claro que
conto com a ajuda de vários amuletos da sorte e quem
sabe um dia conheço assim, uma fila de autores de
verdade e eles me dão um empurrãozinho.
Tomara que não seja no colo deles, ia ser uma suruba
danada - autores também ficam excitados, eu suponho.
E com autora iniciante o negócio tende a levantar
com certeza. (risos)
RECEITA DE AUTOR
Flávio Campos dá a receita para quem quer ser autor " Tem que ter
imaginação em grande quantidade, tem que ter memória, noção de
continuidade, de ritmo, vasto domínio de língua portuguesa. Tem que
ter uma generosidade com o outro, tem que enxergar o outro na forma,
como o outro vive. É necessário ter uma cabeça dramática, tem que
enxergar a cena do cotidiano desfilando sob o seu olhar atento.
Tem que entender que a vida é uma revelação que brota de uma cena.
Tem que ter cultura, quanto maior melhor, conhecimentos de psicologia
de filosofia, isso são coisas que ampliam...."
A PARTE QUE MAIS GOSTO QUE ESCREVI...
Para participar da oficina existe uma quebra de valores, diferentemente
do que acontece com outros cargos- o candidato pode ter um perfil
bem particular, existe uma tolerância para a maluquice. O "maluco
beleza", que seria eleiminado para uma tarefa administrativa, é aproveitado.
Desfila uma galeria de tipos: desde a senhora de 60 anos, que passou a
vida cuidando do filho e agora descobriu o talento pra escrever, o rapaz
homessexual, aquele garoto de praia de 19 anos, passando pelo intelectual
de esquerda, o de direita, o negro oprimido, o careta, o pós-moderno,
não existe um pré-conceito definido de exigências para o candidato.
PS. o" Aquele" meu fã vai gostar de ler um pouquinho das minhas matérias...
nunca acerto a proporção, sorry por carregar o micro dos blogonautas
a imagem do jornal ficou um elefante... depois tento diminuir.
Acho ninguém gosta de confessar, mas uma das minhas grandes
frustrações, foi não ter conseguido entrar na Oficina de Roteiristas
da Rede Globo. Tinha chegado de viagem e na pressa pra entregar
alguma coisa, pois soube do Concurso nas vésperas de acabar o prazo.
Escrevi uma sinopse ao meu ver o mais perfeita que pude imaginar.
Mas não tinha diálogos e nem as marcações de cena. Meu trabalho
nem chegou a ser lido, foi para o lixo direto. Fiquei sabendo
quando fiz essa entrevista com o professor. Chorei muito e uma
amiga falava pra me conformar, vai ter outras, tenha calma.
E eu totalmente arrasada ainda falava.
- Eu vou estar lá no primeiro dia dessa Oficina, custe o custar.
Foi quando tive a brilhante idéia de sugerir a pauta para o Jornal.
Pela primeira vez fui pra São Paulo no carro do Jornal com direito a
fotógrafo e motorista. O professor não gostava de jornalistas e foi
interessante, pois ele disse que se falasse amarelo um jornalista
sempre iria escrever laranja, eles sempre distorciam as palavras.
Gravei toda entrevista e ele me mandou um e-mail elogiando
que tinha conseguido escrever na cor certa.
E foi assim que estive na Oficina de Roteiristas não como
aluna que era o ideal, mas estive como jornalista. O Flávio
me deu um castigo e disse que só ia poder me dar entrevista
depois da aula. Quem me dera encontrar vários castigos
assim pela vida, amei estar lá e fiquei dois dias, depois
disso tive que terminar a matéria pois ele não permitiu
mais minha presença. Pelo menos senti o gostinho.
Leiam e me digam se como "maluca beleza" um dia ainda
não vou ter minha chance. Aposto que sim, não desisti e
vou morrer como soldado - perdendo mas lutando.
As minhas histórias ainda vão virar roteiro, claro que
conto com a ajuda de vários amuletos da sorte e quem
sabe um dia conheço assim, uma fila de autores de
verdade e eles me dão um empurrãozinho.
Tomara que não seja no colo deles, ia ser uma suruba
danada - autores também ficam excitados, eu suponho.
E com autora iniciante o negócio tende a levantar
com certeza. (risos)
RECEITA DE AUTOR
Flávio Campos dá a receita para quem quer ser autor " Tem que ter
imaginação em grande quantidade, tem que ter memória, noção de
continuidade, de ritmo, vasto domínio de língua portuguesa. Tem que
ter uma generosidade com o outro, tem que enxergar o outro na forma,
como o outro vive. É necessário ter uma cabeça dramática, tem que
enxergar a cena do cotidiano desfilando sob o seu olhar atento.
Tem que entender que a vida é uma revelação que brota de uma cena.
Tem que ter cultura, quanto maior melhor, conhecimentos de psicologia
de filosofia, isso são coisas que ampliam...."
A PARTE QUE MAIS GOSTO QUE ESCREVI...
Para participar da oficina existe uma quebra de valores, diferentemente
do que acontece com outros cargos- o candidato pode ter um perfil
bem particular, existe uma tolerância para a maluquice. O "maluco
beleza", que seria eleiminado para uma tarefa administrativa, é aproveitado.
Desfila uma galeria de tipos: desde a senhora de 60 anos, que passou a
vida cuidando do filho e agora descobriu o talento pra escrever, o rapaz
homessexual, aquele garoto de praia de 19 anos, passando pelo intelectual
de esquerda, o de direita, o negro oprimido, o careta, o pós-moderno,
não existe um pré-conceito definido de exigências para o candidato.
PS. o" Aquele" meu fã vai gostar de ler um pouquinho das minhas matérias...
nunca acerto a proporção, sorry por carregar o micro dos blogonautas
a imagem do jornal ficou um elefante... depois tento diminuir.
TEMPOS COR DE ROSA
[Tirei a foto]
foto de fantasia na casa da vovó
em abril de 1966
BAILARINA
[by Rosi Luna em 86]
Não sei que menina é esta
Que ama como uma mulher
Não sei que rosto é este
Que se exprime como uma flor
Quanta tristeza e dor
Qual candura e formosura
Fez tua tez tão pura
Onde escondes tua figura?
Menina ainda
Ainda que te escondas
Ainda que te esqueças
Impossível deixar de sentir-te
Tão cálida e linda
Tão suave bailarina
[Tirei a foto]
foto de fantasia na casa da vovó
em abril de 1966
BAILARINA
[by Rosi Luna em 86]
Não sei que menina é esta
Que ama como uma mulher
Não sei que rosto é este
Que se exprime como uma flor
Quanta tristeza e dor
Qual candura e formosura
Fez tua tez tão pura
Onde escondes tua figura?
Menina ainda
Ainda que te escondas
Ainda que te esqueças
Impossível deixar de sentir-te
Tão cálida e linda
Tão suave bailarina
quinta-feira, abril 19, 2001
SAUDADES DE LAUDAS DATILOGRAFADAS
Alguém me pediu pra colocar aqui aquela
lauda que guardava por tantos anos, tenho
mania de guardas folhas soltas e papéis
antigos. Não acertei scanear direito a folha,
só aprendi a colocar imagem.
Essa é uma autêntica lauda de 20 linhas
da qual gosto muito, vou transcrever o
que ela diz. Pena que não tem data.
Foi enviada pra mim, é a continuação
daquela foto de bailarina.
Fiz um poema que depois coloco aqui
que se chamava "instantâneo momento de cor".
Rosi Luna em Nostalgia Total
-----------------------------------------------------------------------------------
O QUE ESTÁ ESCRITO...
Linda Criatura:
Ontem inauguramos a exposição sobre Arraes. Não pude te mandar
convite porque sairam na véspera da exposição e além do mais,
horrorosos, como voce pode ver.
Foi um sucesso de publico e foi prestigiada pelo governador
eleito que elogiou os trabalhos. Além de Arraes, amigos meus
e seus. Alguns que só tinham olhos para minhas fotos.
Faltou voce para completar minha alegria. Mas eu via voce
entre as pessoas, passeando entre as fotos, sorrindo seu
olhar" instântaneo momento de cor".
Tenho um montão de coisas pra te contar, mas quero fazê-lo
pessoalmente muito breve. Queres ouvir?
Surgiu uma proposta para fazer um trabalho em Belo Horizonte,
para uma agência de publicidade. É o aniversário da cidade e eles
querem transar um catálogo com muitas fotos e já tivemos o primeiro
contato. Se pintar, será para loguinho. Bom né?
Estou te escrevendo enquanto o boy olha pra mim apressado para
ir no banco e no correio. Te digo mais depois.
te amo muito (deveras)
muitos beijos, muitosbeijos, muitosbeijos
muitosbeijos, muitobeijos,muitosbeijos,milbeijos,inumerosbeijos,cemilhões
debeijos, trilhõesdebeijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos
Ass. Maneco
PS. tenho uma amiga que disse que parece novela, eu
o conheci vestida de bailarina quando tropecei em um
flash que carregava na tomada de uma parede em um baile
de carnaval. Não me falou de cara que era da Veja.
Claro que depois soube e viajei muito pela Abril Cultural.
Alguém me pediu pra colocar aqui aquela
lauda que guardava por tantos anos, tenho
mania de guardas folhas soltas e papéis
antigos. Não acertei scanear direito a folha,
só aprendi a colocar imagem.
Essa é uma autêntica lauda de 20 linhas
da qual gosto muito, vou transcrever o
que ela diz. Pena que não tem data.
Foi enviada pra mim, é a continuação
daquela foto de bailarina.
Fiz um poema que depois coloco aqui
que se chamava "instantâneo momento de cor".
Rosi Luna em Nostalgia Total
-----------------------------------------------------------------------------------
O QUE ESTÁ ESCRITO...
Linda Criatura:
Ontem inauguramos a exposição sobre Arraes. Não pude te mandar
convite porque sairam na véspera da exposição e além do mais,
horrorosos, como voce pode ver.
Foi um sucesso de publico e foi prestigiada pelo governador
eleito que elogiou os trabalhos. Além de Arraes, amigos meus
e seus. Alguns que só tinham olhos para minhas fotos.
Faltou voce para completar minha alegria. Mas eu via voce
entre as pessoas, passeando entre as fotos, sorrindo seu
olhar" instântaneo momento de cor".
Tenho um montão de coisas pra te contar, mas quero fazê-lo
pessoalmente muito breve. Queres ouvir?
Surgiu uma proposta para fazer um trabalho em Belo Horizonte,
para uma agência de publicidade. É o aniversário da cidade e eles
querem transar um catálogo com muitas fotos e já tivemos o primeiro
contato. Se pintar, será para loguinho. Bom né?
Estou te escrevendo enquanto o boy olha pra mim apressado para
ir no banco e no correio. Te digo mais depois.
te amo muito (deveras)
muitos beijos, muitosbeijos, muitosbeijos
muitosbeijos, muitobeijos,muitosbeijos,milbeijos,inumerosbeijos,cemilhões
debeijos, trilhõesdebeijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos,beijos
Ass. Maneco
PS. tenho uma amiga que disse que parece novela, eu
o conheci vestida de bailarina quando tropecei em um
flash que carregava na tomada de uma parede em um baile
de carnaval. Não me falou de cara que era da Veja.
Claro que depois soube e viajei muito pela Abril Cultural.
quarta-feira, abril 18, 2001
O BLOG VAI SAIR DANÇANDO...
Não contei que a aula de dança flamenca foi
tão tré-dificile que não vou voltar. Com 40 quilates
a coordenação motora não obedece e quando
conseguia movimentar as mãos, os pés estavam paradinhos.
O Filipe tirou de letra e conseguiu logo na primeira
aula, fazer a mão e o pé na maior harmonia então
decidi que só ele vai fazer aula de dança flamenca.
Não me animei muito pois a dança é linda mas não sei
se ia me acostumar é tudo muito complicado.
Vou tentar um outra aula e vou decidir, o movimento
da saia e as paradinhas do olé! É lindimais como
diz a Carmina.
PS. estou com dor na coluna, entrevada, com gripe
e ninguém percebe no blog, ninguém nota nada...
que bom que tem uma tela pra eu me esconder atrás.
Não contei que a aula de dança flamenca foi
tão tré-dificile que não vou voltar. Com 40 quilates
a coordenação motora não obedece e quando
conseguia movimentar as mãos, os pés estavam paradinhos.
O Filipe tirou de letra e conseguiu logo na primeira
aula, fazer a mão e o pé na maior harmonia então
decidi que só ele vai fazer aula de dança flamenca.
Não me animei muito pois a dança é linda mas não sei
se ia me acostumar é tudo muito complicado.
Vou tentar um outra aula e vou decidir, o movimento
da saia e as paradinhas do olé! É lindimais como
diz a Carmina.
PS. estou com dor na coluna, entrevada, com gripe
e ninguém percebe no blog, ninguém nota nada...
que bom que tem uma tela pra eu me esconder atrás.
POESIA PARA BAILARINA DE VERMELHO
COM DEDICATÓRIA NA FOTO
Outro dia mandei pra alguém essa dedicatória poética só que coloquei
um "louca" acho que estou meio tan tan e aumentei um pouco ou só
pensei em colocar a verdade, eu era uma louca de fato... risos
A DEDICATÓRIA POÉTICA
Rosi,
Lembrando do
seu aniversário
lembrei também
de ter rasbiscado
algo assim:
baila. baila, bailarina,
balalaica, laica e
linda
Um sorriso puro
Maneco 23.01.86
PS. tinha mania de mandar sempre sorrisos
no final das minhas mensagens. Ele tinha comprado
uma leica e a gente brincava pois eu só escrevia
laica. E entre laica e leica ficou dessa forma que
ele escreveu. De algum lugar lá do céu ele deve
estar lendo essa mensagem, ele morreu em
um assalto fotografando ruínas de uma igreja
já faz alguns anos, mas parece que foi ontem.
Fiquei com as fotografias e com as lembranças
do nosso amor de uma bailarina e um fotógrafo.
Tive outros amores e minha vida tomou outro rumo.
Estou abrindo meu baú lotado de coisas e agora
já sei colocar foto e sei fazer letras coloridas sozinha,
essa minha trava com o micro torna tudo mais
difícil mas estou conseguindo me libertar dos
medos aos pouquinhos.
Parece até ironia do destino conseguir
colocar aqui onlymente justamente essa foto
que gosto tanto, não pela foto em si, mas pelo
valor afetivo que tenho com ela.
COM DEDICATÓRIA NA FOTO
Outro dia mandei pra alguém essa dedicatória poética só que coloquei
um "louca" acho que estou meio tan tan e aumentei um pouco ou só
pensei em colocar a verdade, eu era uma louca de fato... risos
A DEDICATÓRIA POÉTICA
Rosi,
Lembrando do
seu aniversário
lembrei também
de ter rasbiscado
algo assim:
baila. baila, bailarina,
balalaica, laica e
linda
Um sorriso puro
Maneco 23.01.86
PS. tinha mania de mandar sempre sorrisos
no final das minhas mensagens. Ele tinha comprado
uma leica e a gente brincava pois eu só escrevia
laica. E entre laica e leica ficou dessa forma que
ele escreveu. De algum lugar lá do céu ele deve
estar lendo essa mensagem, ele morreu em
um assalto fotografando ruínas de uma igreja
já faz alguns anos, mas parece que foi ontem.
Fiquei com as fotografias e com as lembranças
do nosso amor de uma bailarina e um fotógrafo.
Tive outros amores e minha vida tomou outro rumo.
Estou abrindo meu baú lotado de coisas e agora
já sei colocar foto e sei fazer letras coloridas sozinha,
essa minha trava com o micro torna tudo mais
difícil mas estou conseguindo me libertar dos
medos aos pouquinhos.
Parece até ironia do destino conseguir
colocar aqui onlymente justamente essa foto
que gosto tanto, não pela foto em si, mas pelo
valor afetivo que tenho com ela.
DIRETO DO BAÚ DE POESIAS DOS ANOS 80

Mira linda
teu sorriso leve podia saltar...
Meiga face de alface
beijo cintilante
de amor brilhante
PS. na época ganhei um anel, não era de
brilhante legítimo mas era bem gracioso e
namorava um fotógrafo.
Olha a loucura ele tirava minhas fotos e
me pedia pra fazer poesias e aí está o
resultado. Tenho várias poesias ilustradas.
Esse cartão era uma xerox, gostava de
montar minhas poesias como cartão postal.
Nem era linda, mas como poeta mentia que
era uma beleza, e ele acreditava.
Tenho saudades dos meus vinte anos...

Mira linda
teu sorriso leve podia saltar...
Meiga face de alface
beijo cintilante
de amor brilhante
PS. na época ganhei um anel, não era de
brilhante legítimo mas era bem gracioso e
namorava um fotógrafo.
Olha a loucura ele tirava minhas fotos e
me pedia pra fazer poesias e aí está o
resultado. Tenho várias poesias ilustradas.
Esse cartão era uma xerox, gostava de
montar minhas poesias como cartão postal.
Nem era linda, mas como poeta mentia que
era uma beleza, e ele acreditava.
Tenho saudades dos meus vinte anos...
domingo, abril 15, 2001
BEIJO ROUBADO

The Kiss - Gustav Klimt
diretamente roubado do Mucha
POESIA ROUBADA
Inconfidências
Vejo-te os passos, Marília, tateando o chão dourado desta Vila
Da qual és tesouro, Dirceu, mais que da vila, da vida minha
Liberta-te, amor, de grilhão que a alma te prende, atira-te imprudente
Atira-te impensadamente, Dirceu, em meu dilúcido abraço
Seja o lúdico, querida, sempre o lúbrico, mais se proibido
E colha a flor que para ti guardo de perdidas primaveras
Flor que sabe o musgo do mais recôndito paraíso
Vem, Dirceu, por isso, vem sem nada
Vejo pássaros que dançam sob o insólito sol da vila trágica
Paraíso das vagas estrelas de um imponderável crepúsculo
Devoro o que adoro na profana eucaristia de todas as horas
São esses ares, odores, ensejos de amores, rumores
Porque és isso, nereida e ninfa, a me fazer tonto, exposto, atônito
Maníaco que ataca súbito, veloz, terrífico
Que brilhem os teus cabelos na desvirtuosa viagem de todas as brisas
Astro estonteante de galáxias sem órbitas, senhor da aurora
Somente ante minha desdenhosa demoníaca Desdêmona
Veneziano viajante de eras errantes
No incansável encalço do desviante rastro estelar de sideral senhora
Seja meu o mel de teus lábios
Teus lábios teus dentes teu jeito nunca dantes
Dentes que te hão de prender, lábios beijar, jeito que só a ti se ajeita
Mas erras tão distante, hera de húmus, hímen da terra
Na distância mais íntima úmida e última das feras
Do homem navegante pelas sinuosas penugens de teus vales
Das montanhas, tamanhas e tantas destas Minas
Pela tua pele, síntese do pêssego
pelos teus pelos que se insinuam sob a túnica de seda
Deusa em mim latejante, voraz, Vênus ante tantos veneranda
Do Venerado Orfeu, são teus harpejos
Toda tua nudez será louvada
Teu canto será benvindo
Faça-te fera, me abata na terra, na mata
Me ama na grama, na lama
Me mata na cama
No chão, na mão
No meio do salão
na mente, ilusão
Dentro do meu coração
Vem, então, morrer comigo
Tira de mim o fatal feitiço que me inspiras
Desfaça a eternidade que me deu a tua lira
Fatal fantasia
Fantasmagoricamente gótica
De um anjo brasílico e barroco
Na Catedral do inconfessável desejo
Ai nave espacial do sonho sem retorno
Ai barco de aventura em mar revolto
Fortuna e virtude
Vício e ventura
Lábios de Marília perfeitos, feitos
flores sequiosas, famintas
Ao jeito de meu beijo famélico
Ciciam por delícias
Em carícias deliro
Suspira sereno em meu peito o supremo desejo
Inspira-me pois o eterno recomeço
Faça de mim pedaço de ti
Volto a semente, devoro o tempo
Devora a mim somente.
Pseudônimo: Saci Pererê da Silva
Autor: Levi Bucalen Ferrari
-----------------------------------------------------------------------------------------------
PS. gosto de amores assim fumegantes, espumantes, conflitantes
realmente inspirante para qualquer poeta que se preza.
Essa poesia foi roubada da Página Um da minha amiguita
Lenita, que colocou um novo link lá e fui visitar um concurso
de poesias. Em especial gostei do pseudônimo e do sobrenome
Ferrari ah! se fosse amarela? Gostei da pele pêssego e tantas outras
passagens "São esses ares, odores, ensejos de amores, rumores
Porque és isso, nereida e ninfa, a me fazer tonto, exposto, atônito
Maníaco que ataca súbito, veloz, terrífico..."

The Kiss - Gustav Klimt
diretamente roubado do Mucha
POESIA ROUBADA
Inconfidências
Vejo-te os passos, Marília, tateando o chão dourado desta Vila
Da qual és tesouro, Dirceu, mais que da vila, da vida minha
Liberta-te, amor, de grilhão que a alma te prende, atira-te imprudente
Atira-te impensadamente, Dirceu, em meu dilúcido abraço
Seja o lúdico, querida, sempre o lúbrico, mais se proibido
E colha a flor que para ti guardo de perdidas primaveras
Flor que sabe o musgo do mais recôndito paraíso
Vem, Dirceu, por isso, vem sem nada
Vejo pássaros que dançam sob o insólito sol da vila trágica
Paraíso das vagas estrelas de um imponderável crepúsculo
Devoro o que adoro na profana eucaristia de todas as horas
São esses ares, odores, ensejos de amores, rumores
Porque és isso, nereida e ninfa, a me fazer tonto, exposto, atônito
Maníaco que ataca súbito, veloz, terrífico
Que brilhem os teus cabelos na desvirtuosa viagem de todas as brisas
Astro estonteante de galáxias sem órbitas, senhor da aurora
Somente ante minha desdenhosa demoníaca Desdêmona
Veneziano viajante de eras errantes
No incansável encalço do desviante rastro estelar de sideral senhora
Seja meu o mel de teus lábios
Teus lábios teus dentes teu jeito nunca dantes
Dentes que te hão de prender, lábios beijar, jeito que só a ti se ajeita
Mas erras tão distante, hera de húmus, hímen da terra
Na distância mais íntima úmida e última das feras
Do homem navegante pelas sinuosas penugens de teus vales
Das montanhas, tamanhas e tantas destas Minas
Pela tua pele, síntese do pêssego
pelos teus pelos que se insinuam sob a túnica de seda
Deusa em mim latejante, voraz, Vênus ante tantos veneranda
Do Venerado Orfeu, são teus harpejos
Toda tua nudez será louvada
Teu canto será benvindo
Faça-te fera, me abata na terra, na mata
Me ama na grama, na lama
Me mata na cama
No chão, na mão
No meio do salão
na mente, ilusão
Dentro do meu coração
Vem, então, morrer comigo
Tira de mim o fatal feitiço que me inspiras
Desfaça a eternidade que me deu a tua lira
Fatal fantasia
Fantasmagoricamente gótica
De um anjo brasílico e barroco
Na Catedral do inconfessável desejo
Ai nave espacial do sonho sem retorno
Ai barco de aventura em mar revolto
Fortuna e virtude
Vício e ventura
Lábios de Marília perfeitos, feitos
flores sequiosas, famintas
Ao jeito de meu beijo famélico
Ciciam por delícias
Em carícias deliro
Suspira sereno em meu peito o supremo desejo
Inspira-me pois o eterno recomeço
Faça de mim pedaço de ti
Volto a semente, devoro o tempo
Devora a mim somente.
Pseudônimo: Saci Pererê da Silva
Autor: Levi Bucalen Ferrari
-----------------------------------------------------------------------------------------------
PS. gosto de amores assim fumegantes, espumantes, conflitantes
realmente inspirante para qualquer poeta que se preza.
Essa poesia foi roubada da Página Um da minha amiguita
Lenita, que colocou um novo link lá e fui visitar um concurso
de poesias. Em especial gostei do pseudônimo e do sobrenome
Ferrari ah! se fosse amarela? Gostei da pele pêssego e tantas outras
passagens "São esses ares, odores, ensejos de amores, rumores
Porque és isso, nereida e ninfa, a me fazer tonto, exposto, atônito
Maníaco que ataca súbito, veloz, terrífico..."
quinta-feira, abril 12, 2001
ESSA É MINHA CRÔNICA DA SEMANA
COM DESEJO DE FELIZ PÁSCOA
O TEMA: FAZ DE CONTA
Andei mudando o último parágrafo e
colocando umas vírgulas...

O PEIXE BAILARINO
[Rosi Luna]
Faz de conta que história de pescador é bem assim, você pesca uma
piaba e fala que pescou um tubarão, se não aumentar perde a graça.
Faz de conta que você pensa em aumentar essa história que começou
com um minúsculo peixinho e que alcançou tantas proporções.
Faz de conta que chegou um peixe na sua casa, ele veio em um saco
plástico e foi dado de lembrançinha em uma festa infantil. Ele é
um intruso na sua vida, apesar do seu signo ser áquario, você
nunca pensou em criar peixe no cativeiro.
Mas ele chegou e precisa de lugar pra ficar. Você abre todos os
armários da cozinha e percebe que em toda a sua louça, não tem
nada suficientemente fundo para abrigar o novo hóspede. A única
saída é ir na vizinha do apartamento da frente. Já é tarde da
noite e não vai dar pra comprar áquario a essa hora. A vizinha
arruma um pirex verde escuro, e você coloca o peixe lá dentro.
Faz de conta que o peixe corre de alegria pelo pirex, rodopia,
mergulha, pra quem estava morando em um saco plástico, aquele
pirex era um verdadeiro palacete. A lembrançinha é um kit com
peixe, comida e ainda tem as instruções de como alimentar. No fundo
mesmo, você não queria que tivesse nenhum peixe ali na sua frente.
Mas como fazer de conta que não viu a carinha de felicidade
estampada do seu filho, com seu primeiro bichinho de estimação.
O jeito é encarar e tentar observar aquele peixe, e cuidar para que
sua estada seja o mais agradável possível. O lugar escolhido para o
pirex é em cima da sua pia, isso quer dizer que a partir de agora,
nada de respingos de gordura e nem de detergente, tudo pode afetar
a rotina do peixe.
Faz de conta que a sua vida que antes era tranquila passa a girar em
torno do peixe. Seu filho acorda falando do peixe, almoça falando do
peixe e dorme querendo levar o peixe para a cama. Só se fala em
peixe e isso já dura uma semana.
Faz de conta que você acredita que não vai olhar áquario, pois
você sabe que vida de peixe recluso talvez seja curta e não vale
o investimento.
Faz de conta que você esqueceu o que tinha dito antes e foi na tal
loja de áquario e ficou chocada com a quantidade de acessórios que
o vendedor queria lhe empurrar. Era simples; áquario, pedras, luz
azul, pastilhas, bomba, enfeite, papel de fundo, plantas plásticas.
Quando ele traz a conta, quase duzentos reais.
Faz de conta que você tem uma atitude imprevizível e faz a
singela pergunta.
- Quanto custa um peixe como esse aqui? E aponta para o que seria
um irmão gêmeo do que vivia tranquilamente no pirex.
- Ah! Esse peixe custa só cincoenta centavos.
Você olha para o vendedor e argumenta.
- Quer dizer que para cuidar de um peixe de cincoenta centavos,
preciso levar toda essa parafernália caríssima.
Faz de conta que você finge não notar os olhinhos do seu filho
brilharem de tristeza, quando diz que vai pensar mais um pouco e
que não iria levar nada. Ainda deu tempo de perguntar ao vendedor
lá em um cantinho da loja, quanto tempo de vida teria ele sem
a bomba de ar. O vendedor deu uma média de vida de quinze dias.
Faz de conta que você passa a observá-lo todos os dias, e mesmo sem
querer, começa a se afeiçoar ao peixe. Ele estava ali rodopiando na
água, e quando você estava sem idéias, ia lá tomar conselhos.
As vezes dividia até a solidão de algumas horas, e já o sentia seu
companheiro de mergulho ou de meditação profunda.
Faz de conta que você notou que tinha algo em comum com o peixe.
Quando batia uma tristeza vocês gostavam de afundar, afundar,
afundar e quando batia uma alegria, vocês gostavam de dançar.
A diferença básica estava no habitat, ele morava em um apertado
pirex e você morava em um apertado apartamento.
Faz de conta que você está no computador só vestida de camiseta e
calcinha e está terminando um texto importante. Seu filho que só
respira peixe faz alguns dias, lhe avisa que está na hora de
alimentar o bichinho de estimação. Você pensa em não parar naquele
momento, mas algo lhe impusiona e você vai na frente e acende a luz
da cozinha.
Faz de conta que você olha para o pirex e o peixe não está lá.
Você dá um grito de pavor e vê o peixe todo roxo pulando no chão
da cozinha.
Faz de conta que é uma cena de filme surrealista, você abre a porta
do apartamento e sai gritando pela vizinha que é super corajosa e nem
lembra que estava vestida apenas de camiseta. A vizinha pega o peixe
com dificuldade e consegue colocá-lo de volta no pirex. Depois de
tanto susto o peixe fica paralizado.
Faz de conta que você achou que ele estava morto, novos gritos de
pânico e a gente dá um tapinha de leve nele. Ele rodopia e enfim
assustado, tem uma diarréia e você vê exatos três rolinhos saindo.
Não era pra menos depois daquele susto, tinha mais é que se aliviar.
Faz de conta que sua vizinha morre de rir de ver você de calcinha.
Você ri nervosamente por não ter tido coragem de salvar sozinha seu
companheiro bailarino das águas.
Faz de conta que dá para perceber que você parece um peixe
assustado, você tem medo de muitas coisas, e de muitas sensações
diferentes. Os dias foram passando e você passou a respirar peixe
de manhã, de tarde e de noite. A essa altura ele já era o seu
bailarino preferido, pois você fica imaginando que grande salto ele
deu pra pular do pirex e mesmo assim conseguir sobreviver.
Faz de conta que você faz um comparativo, você também dá muitos
saltos pra tentar sobreviver nesse redemoinho chamado vida.
Faz de conta que você acha que tudo ia bem, quando quase nos exatos
quinze dias de pirex, o peixe começa a ficar apático e mostra sinais
de cansaço evidente. Foi um domingo de terror, na sua pia já estavam
dois baldes, outro pirex e tudo foi feito para que ele voltasse
rodopiar no seu ballet aquático.
Faz de conta que ele morre e você precisa ensinar ao seu filho a
primeira sensação de perda. Você conhece tudo sobre essa sensação
dura, fria e difícil, mas não tem palavras pra explicar.
E chorando arruma uma caixinha de fósforo e uma cruz feita com dois
palitos de dente, chama sua vizinha e convida para o velório
do peixe. Aos prantos você promete comprar outro peixe, mas seu filho
não aceita, ele queria o "seu peixe" aquele que jazia inerte na
caixinha de fiat lux.
Faz de conta que só nessa hora você percebe que não era cincoenta
centavos o valor do peixe, era o tamanho do amor que ele tinha que
nenhuma moeda seria capaz de comprar.
Faz de conta que choveu torrencialmente e com o rostinho em lágrimas
seu filho inconformado pergunta se o peixe está bem lá na árvore
que o enterramos. Respondo que agora ele deveria estar muito bem
pois ele estava nadando rumo ao céu. Afinal de contas o peixe que
tinha se convertido ao catolicismo nos últimos minutos de vida e
agora já tinha até virado peixe-anjo-nadador.
Faz de conta que passasse no dia seguinte um fumante e achasse
aquela caixa de fósforo no chão, pois a cova era rasa e
provavelmente com a chuva ela saiu do lugar. Imagino a cara de
espanto do fumante ao abrir pensando em achar fósforo e indo dar
de cara com um peixe morto.
Podia levar um susto tão grande que podia parar de fumar. E sem
querer ser partidária da liga anti-tabajista, mas que você ia
gostar você ia e seu amigo peixe com certeza ia rodopiar
bailarino de alegria.
Faz de conta que você confessa que é da geração saúde, não
bebe, não fuma e adora corpo em movimento.
Faz de conta que você inventou tudo isso, mas que era tudo a
mais pura verdade e que agora você está de camiseta com calcinha
de novo. E você tem certeza que o malandro do seu vizinho vai ficar
torcendo pra você sair assustada com as pernas e a calcinha de fora.
Faz de conta que é Páscoa e você não quer comer peixe, e você
promete que vai resistir aos quitutes da Inajara, mas quando você
sentir aquele cheiro de têmpero baiano você vai cair de boca e nem
vai lembrar da promessa.
Faz de conta que amanhã você vai olhar áquario; é no jornal na
coluna de horóscopo.
Faz de conta que acredita...
COM DESEJO DE FELIZ PÁSCOA
O TEMA: FAZ DE CONTA
Andei mudando o último parágrafo e
colocando umas vírgulas...

O PEIXE BAILARINO
[Rosi Luna]
Faz de conta que história de pescador é bem assim, você pesca uma
piaba e fala que pescou um tubarão, se não aumentar perde a graça.
Faz de conta que você pensa em aumentar essa história que começou
com um minúsculo peixinho e que alcançou tantas proporções.
Faz de conta que chegou um peixe na sua casa, ele veio em um saco
plástico e foi dado de lembrançinha em uma festa infantil. Ele é
um intruso na sua vida, apesar do seu signo ser áquario, você
nunca pensou em criar peixe no cativeiro.
Mas ele chegou e precisa de lugar pra ficar. Você abre todos os
armários da cozinha e percebe que em toda a sua louça, não tem
nada suficientemente fundo para abrigar o novo hóspede. A única
saída é ir na vizinha do apartamento da frente. Já é tarde da
noite e não vai dar pra comprar áquario a essa hora. A vizinha
arruma um pirex verde escuro, e você coloca o peixe lá dentro.
Faz de conta que o peixe corre de alegria pelo pirex, rodopia,
mergulha, pra quem estava morando em um saco plástico, aquele
pirex era um verdadeiro palacete. A lembrançinha é um kit com
peixe, comida e ainda tem as instruções de como alimentar. No fundo
mesmo, você não queria que tivesse nenhum peixe ali na sua frente.
Mas como fazer de conta que não viu a carinha de felicidade
estampada do seu filho, com seu primeiro bichinho de estimação.
O jeito é encarar e tentar observar aquele peixe, e cuidar para que
sua estada seja o mais agradável possível. O lugar escolhido para o
pirex é em cima da sua pia, isso quer dizer que a partir de agora,
nada de respingos de gordura e nem de detergente, tudo pode afetar
a rotina do peixe.
Faz de conta que a sua vida que antes era tranquila passa a girar em
torno do peixe. Seu filho acorda falando do peixe, almoça falando do
peixe e dorme querendo levar o peixe para a cama. Só se fala em
peixe e isso já dura uma semana.
Faz de conta que você acredita que não vai olhar áquario, pois
você sabe que vida de peixe recluso talvez seja curta e não vale
o investimento.
Faz de conta que você esqueceu o que tinha dito antes e foi na tal
loja de áquario e ficou chocada com a quantidade de acessórios que
o vendedor queria lhe empurrar. Era simples; áquario, pedras, luz
azul, pastilhas, bomba, enfeite, papel de fundo, plantas plásticas.
Quando ele traz a conta, quase duzentos reais.
Faz de conta que você tem uma atitude imprevizível e faz a
singela pergunta.
- Quanto custa um peixe como esse aqui? E aponta para o que seria
um irmão gêmeo do que vivia tranquilamente no pirex.
- Ah! Esse peixe custa só cincoenta centavos.
Você olha para o vendedor e argumenta.
- Quer dizer que para cuidar de um peixe de cincoenta centavos,
preciso levar toda essa parafernália caríssima.
Faz de conta que você finge não notar os olhinhos do seu filho
brilharem de tristeza, quando diz que vai pensar mais um pouco e
que não iria levar nada. Ainda deu tempo de perguntar ao vendedor
lá em um cantinho da loja, quanto tempo de vida teria ele sem
a bomba de ar. O vendedor deu uma média de vida de quinze dias.
Faz de conta que você passa a observá-lo todos os dias, e mesmo sem
querer, começa a se afeiçoar ao peixe. Ele estava ali rodopiando na
água, e quando você estava sem idéias, ia lá tomar conselhos.
As vezes dividia até a solidão de algumas horas, e já o sentia seu
companheiro de mergulho ou de meditação profunda.
Faz de conta que você notou que tinha algo em comum com o peixe.
Quando batia uma tristeza vocês gostavam de afundar, afundar,
afundar e quando batia uma alegria, vocês gostavam de dançar.
A diferença básica estava no habitat, ele morava em um apertado
pirex e você morava em um apertado apartamento.
Faz de conta que você está no computador só vestida de camiseta e
calcinha e está terminando um texto importante. Seu filho que só
respira peixe faz alguns dias, lhe avisa que está na hora de
alimentar o bichinho de estimação. Você pensa em não parar naquele
momento, mas algo lhe impusiona e você vai na frente e acende a luz
da cozinha.
Faz de conta que você olha para o pirex e o peixe não está lá.
Você dá um grito de pavor e vê o peixe todo roxo pulando no chão
da cozinha.
Faz de conta que é uma cena de filme surrealista, você abre a porta
do apartamento e sai gritando pela vizinha que é super corajosa e nem
lembra que estava vestida apenas de camiseta. A vizinha pega o peixe
com dificuldade e consegue colocá-lo de volta no pirex. Depois de
tanto susto o peixe fica paralizado.
Faz de conta que você achou que ele estava morto, novos gritos de
pânico e a gente dá um tapinha de leve nele. Ele rodopia e enfim
assustado, tem uma diarréia e você vê exatos três rolinhos saindo.
Não era pra menos depois daquele susto, tinha mais é que se aliviar.
Faz de conta que sua vizinha morre de rir de ver você de calcinha.
Você ri nervosamente por não ter tido coragem de salvar sozinha seu
companheiro bailarino das águas.
Faz de conta que dá para perceber que você parece um peixe
assustado, você tem medo de muitas coisas, e de muitas sensações
diferentes. Os dias foram passando e você passou a respirar peixe
de manhã, de tarde e de noite. A essa altura ele já era o seu
bailarino preferido, pois você fica imaginando que grande salto ele
deu pra pular do pirex e mesmo assim conseguir sobreviver.
Faz de conta que você faz um comparativo, você também dá muitos
saltos pra tentar sobreviver nesse redemoinho chamado vida.
Faz de conta que você acha que tudo ia bem, quando quase nos exatos
quinze dias de pirex, o peixe começa a ficar apático e mostra sinais
de cansaço evidente. Foi um domingo de terror, na sua pia já estavam
dois baldes, outro pirex e tudo foi feito para que ele voltasse
rodopiar no seu ballet aquático.
Faz de conta que ele morre e você precisa ensinar ao seu filho a
primeira sensação de perda. Você conhece tudo sobre essa sensação
dura, fria e difícil, mas não tem palavras pra explicar.
E chorando arruma uma caixinha de fósforo e uma cruz feita com dois
palitos de dente, chama sua vizinha e convida para o velório
do peixe. Aos prantos você promete comprar outro peixe, mas seu filho
não aceita, ele queria o "seu peixe" aquele que jazia inerte na
caixinha de fiat lux.
Faz de conta que só nessa hora você percebe que não era cincoenta
centavos o valor do peixe, era o tamanho do amor que ele tinha que
nenhuma moeda seria capaz de comprar.
Faz de conta que choveu torrencialmente e com o rostinho em lágrimas
seu filho inconformado pergunta se o peixe está bem lá na árvore
que o enterramos. Respondo que agora ele deveria estar muito bem
pois ele estava nadando rumo ao céu. Afinal de contas o peixe que
tinha se convertido ao catolicismo nos últimos minutos de vida e
agora já tinha até virado peixe-anjo-nadador.
Faz de conta que passasse no dia seguinte um fumante e achasse
aquela caixa de fósforo no chão, pois a cova era rasa e
provavelmente com a chuva ela saiu do lugar. Imagino a cara de
espanto do fumante ao abrir pensando em achar fósforo e indo dar
de cara com um peixe morto.
Podia levar um susto tão grande que podia parar de fumar. E sem
querer ser partidária da liga anti-tabajista, mas que você ia
gostar você ia e seu amigo peixe com certeza ia rodopiar
bailarino de alegria.
Faz de conta que você confessa que é da geração saúde, não
bebe, não fuma e adora corpo em movimento.
Faz de conta que você inventou tudo isso, mas que era tudo a
mais pura verdade e que agora você está de camiseta com calcinha
de novo. E você tem certeza que o malandro do seu vizinho vai ficar
torcendo pra você sair assustada com as pernas e a calcinha de fora.
Faz de conta que é Páscoa e você não quer comer peixe, e você
promete que vai resistir aos quitutes da Inajara, mas quando você
sentir aquele cheiro de têmpero baiano você vai cair de boca e nem
vai lembrar da promessa.
Faz de conta que amanhã você vai olhar áquario; é no jornal na
coluna de horóscopo.
Faz de conta que acredita...
quarta-feira, abril 11, 2001
JOGO DE BOLA DE NÁDEGA
E POR FALAR EM BATE BUNDA
ESSA É GOL DE PLACA...
Achei essa do meu amadinho...
COXAS BUNDAS COXAS
[Carlos Drummond de Andrade]
Coxas
bundas
lábios
cheiros
bundas
coxas
línguas
vulvas
coxas
bundas
unhas
céus
terrestres
infernais
no espaço ardente de uma hora
intervalada em muitos meses
de abstinência e depressão.
E POR FALAR EM BATE BUNDA
ESSA É GOL DE PLACA...
Achei essa do meu amadinho...
COXAS BUNDAS COXAS
[Carlos Drummond de Andrade]
Coxas
bundas
lábios
cheiros
bundas
coxas
línguas
vulvas
coxas
bundas
unhas
céus
terrestres
infernais
no espaço ardente de uma hora
intervalada em muitos meses
de abstinência e depressão.
DUAS BOLAS
Ora bolas! não aguentei ler ontem na madrugada a crônica
da semana do Prapra. E que fique claro aqui que não se
trata de puxar saco, que ele nem falou... em duas bolas.
A crônica da bola, tá show de bola...
Vou colocar link aqui da minha página em breve...
Adoro dar bola... ultimamente bola fora (risos)
Tento bater bola de cabeça, mas com tanto
esquema tático, ando batendo com a cabeça na trave...
Vale conferir hoje na coluna:
" O rebolado, por exemplo, que é essa coisa nacional, não
teria esse nome se não fosse a bola.
Seria estranho a mulata passar rebolando e alguém dizer:
olha só que enquadramento, que piramidal, que paralelas.
Concluindo, a bola foi inventada em função do rebolado da
mulher brasileira. Que, se quiser, pode até nos dar uma
bola ao passar. "
[trecho da crônica de hoje do Estadão de Mario Prata]
PS. e tudo que lembra dar bola, lembra de rebolado, que
lembra de duas polpas rebolando e concluindo...
lembra uma bola de nádegas... risos
Ora bolas! não aguentei ler ontem na madrugada a crônica
da semana do Prapra. E que fique claro aqui que não se
trata de puxar saco, que ele nem falou... em duas bolas.
A crônica da bola, tá show de bola...
Vou colocar link aqui da minha página em breve...
Adoro dar bola... ultimamente bola fora (risos)
Tento bater bola de cabeça, mas com tanto
esquema tático, ando batendo com a cabeça na trave...
Vale conferir hoje na coluna:
" O rebolado, por exemplo, que é essa coisa nacional, não
teria esse nome se não fosse a bola.
Seria estranho a mulata passar rebolando e alguém dizer:
olha só que enquadramento, que piramidal, que paralelas.
Concluindo, a bola foi inventada em função do rebolado da
mulher brasileira. Que, se quiser, pode até nos dar uma
bola ao passar. "
[trecho da crônica de hoje do Estadão de Mario Prata]
PS. e tudo que lembra dar bola, lembra de rebolado, que
lembra de duas polpas rebolando e concluindo...
lembra uma bola de nádegas... risos
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